EUA: Sanders lança movimento para fortalecer luta dos trabalhadores

ODTI

Este texto dá conta do lançamento neste Domingo, em Nova Iorque, de um movimento de união dos sindicatos e dos trabalhadores para enfrentar as ameaças que as famílias americanas sofrem na perigosa situação que vive o país. O senador independente, Bernie Sanders, o prefeito Zohran Mamdani de Nova Iorque e lideres sindicais lançaram o Union Now, um movimento para fortalecer os sindicatos e as greves e lutas atuais. 

Os Estados Unidos vivem em uma situação onde Trump perde popularidade a cada dia, mas a oposição – representada pelo Partido democrata, não consegue capitalizar a queda do governo. Os trabalhadores querem mudança, mas não confiam nos Democratas. Nessa situação, os candidatos independentes ou pouco vinculados como Mamdami, representam a esperança de conquista da “América que queremos para nós ou para nossos filhos”, nas palavras do senador. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais, vinculado ao Instituto Lavoro, traduziu esta matéria das páginas da Common Dreams, uma entidade, que fundada em 1997, quer “Informar. Inspirar. Impulsionar mudanças para o bem comum”.

Sanders lidera o lançamento do movimento ‘Union Now’ para combater situação econômica  

“A menos que transformemos fundamentalmente nossos sistemas econômico e político, o pior ainda está por vir”, alertou o senador Bernie Sanders  

Por Brett Wilkins, redator do Common Dreams, publicado em 13 de abril de 2026   

Enquanto as políticas republicanas, as empresas que combatem os sindicatos e a ameaça iminente da inteligência artificial exercem uma pressão sem precedentes sobre a força de trabalho dos EUA, o senador Bernie Sanders liderou, no domingo, o lançamento de um movimento “para fortalecer o movimento trabalhista e expandir o poder dos trabalhadores em todo o país”.  

Sanders (I-VT) discursou no comício “Union Now: Building the Labor Movement” no Terminal 5, em Hell’s Kitchen, no centro de Manhattan, ao lado do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, da presidente internacional da Associação de Comissários de Voo (AFA-CWA), Sara Nelson, e outros líderes trabalhistas e de movimentos sociais. 

 “A menos que transformemos fundamentalmente nossos sistemas econômico e político, o pior ainda está por vir”, alertou Sanders. “Se a classe média deste país quiser sobreviver, precisamos entender que a política e a economia do status quo não são mais suficientes.” 

 “É absolutamente importante que todos nós aqui, e todos os americanos, entendamos que na classe dominante deste país hoje, existe um nível extraordinário de arrogância e crueldade”, disse o senador. “A verdade é que o 1% mais rico, as pessoas no topo, as pessoas que comandam este país, nunca estiveram tão bem”, disse Sanders à multidão.  

“Mas a triste realidade é que, para essas pessoas, tudo o que elas têm não é suficiente. Elas querem mais e mais e não se importam com quem pisam para conseguir o que querem.”  

“Esses caras são pessoas extremamente gananciosas e não se importam nem um pouco com o que acontece com nossos filhos, com nossos pais e avós, e com o nosso meio ambiente hoje”, argumentou o senador.  

“Um dos objetivos dos oligarcas e da mídia que eles controlam é fazer com que as pessoas comuns sintam que não há nada que elas possam fazer para moldar o futuro”, acrescentou. “E o que estamos aqui hoje para dizer a  Musk e seus amigos: Vão para o inferno.” 

Mamdani, que completou 100 dias no cargo, disse: “Quando falamos sobre a importância de enfrentar a crise da desigualdade de renda, sabemos que a ferramenta mais eficaz para isso é aumentar a sindicalização. Organizar campanhas e greves pode, francamente, ser um trabalho solitário. Por isso, o Union Now apoiará os trabalhadores e lhes fornecerá mais recursos, e minha administração estará ao lado deles. Este momento exige nada menos que isso.”  

“A inteligência artificial e os robôs estão vindo para tomar os empregos humanos”, alertou o prefeito. “As proteções trabalhistas estão sendo corroídas. Há empresas que pensam que a exploração é um modelo de negócios viável. Elas estão enganadas.”  

Nelson afirmou que “aumentar o número de sindicalizados e o poder de negociação é crucial para os direitos dos trabalhadores e a justiça econômica”. 

 “Com muita frequência, o patrão tem todo o poder para deixar os trabalhadores sem recursos durante uma disputa”, disse ela. “O Union Now trabalhará diretamente com os sindicatos para garantir que os trabalhadores tenham os meios para vencer.” 

Brittany Norris, membro do Comitê Organizador da Delta AFA e comissária de bordo, disse à multidão que “quando se trata de greves, quando se trata de ações públicas, muitas dessas coisas custam dinheiro e exigem muito tempo, dedicação e esforço por parte dos trabalhadores”.  

“Ouvimos constantemente sobre os lucros… que nossa indústria está gerando, mas depois imploramos por um aumento que se aproxima do aumento do custo de vida a cada ano”, acrescentou.  

O lançamento do Union Now no domingo ocorre em meio à turnê “Combatendo a Oligarquia” de Sanders, que atraiu grandes multidões por todo o país, inclusive nos chamados estados “vermelhos”. O comício também sucede os comícios e marchas do Dia do Trabalho “Trabalhadores Acima dos Bilionários” do ano passado, realizados em mais de 1.000 locais.  

O lançamento do Union Now também coincide com a crescente desigualdade de riqueza não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, onde os 10% mais ricos da população global detêm três quartos da riqueza planetária e representam quase metade de todos os gastos do consumidor. 

“Se  Trump e seus colegas oligarcas conseguirem o que querem, viveremos em uma sociedade onde cada vez menos pessoas terão cada vez mais riqueza e cada vez mais poder, onde a democracia será minada, onde os trabalhadores serão jogados na rua sem nenhum recurso”, disse Sanders no domingo.  

“Essa não é a América que queremos para nós ou para nossos filhos.”  

“A boa notícia é”, acrescentou ele, “que se permanecermos unidos e não deixarmos que Trump e seus amigos nos dividam, quando nos unirmos e lutarmos por um governo que funcione para todos nós, não há nada que não possamos realizar.” 

Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações  e, portanto, sem a revisão dos autores. As opiniões expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as visões do ODTI. O texto original contêm os links para as referências. 

O debate da taxação dos ricos nos EUA

ODTI

Este texto dá conta do debate nos Estados Unidos sobre um sistema tributário justo. Lá, como aqui e como praticamente em todos os países capitalistas, a participação dos mais ricos no financiamento dos serviços públicos vem caindo a cada ano. Em 1944 a taxa básica do IR estadunidense era de 94%, que foi  reduzida para 70% em 1964, 50% em 1981 e 37% em 2018. É claro que os mais ricos pagavam uma taxa muito menor, com deduções, brechas na lei, paraísos fiscais, etc. Mas com certeza eles pagavam e pagam uma taxa muito maior do que os ricos brasileiros pagam.

Os lucros corporativos pagavam uma taxa de 53% reduzida paulatinamente para 21% entre 1969 e 2025. No Brasil, como sabemos, os lucros corporativos são isentos de imposto, uma coisa que acontece apenas aqui e na Estônia. Apesar do pequeno progresso que tivemos neste ano, e na medida em que se aproximam as próximas eleições presidenciais,  a discussão de taxar os mais ricos torna-se oportuna. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto da página da Znet , que “é uma plataforma participativa para interação com conteúdo educacional, visão e análise estratégica que visa apoiar os esforços ativistas por um futuro melhor.”

Chegou a hora de taxar os Ricos 

Por Lawrence S. Wittner , publicado em 25 de março de 2026 

 Com o prazo para o pagamento do imposto de renda federal se aproximando rapidamente, os pensamentos dos contribuintes americanos se voltam naturalmente para a velha questão: por que não existe um sistema tributário mais justo?  

Atualmente, campanhas por leis estaduais que taxam os ricos estão em pleno vigor na Califórnia, Colorado, Nova York, Oregon, Rhode Island, Texas e Virgínia, e já conseguiram a aprovação de tais leis em Massachusetts e Washington. Da mesma forma, no Congresso, a senadora Elizabeth Warren e a deputada Pramila Jayapal apresentaram o Projeto de Lei do Imposto sobre os Ultramilionários (Ultra-Millionaire Tax Act), enquanto o senador Bernie Sanders e o deputado Ro Khanna patrocinam o Projeto de Lei para que os Bilionários Paguem Sua Justa Parte (Make Billionaires Pay Their Fair Share Act). As propostas para taxar os ricos variam desde o aumento da alíquota de imposto para os indivíduos com renda anual mais alta até a instituição de um imposto anual sobre a riqueza dos americanos mais ricos, ou uma combinação de ambos. 

Embora os americanos mais ricos, assim como os demais, sempre tenham pago impostos para financiar os serviços públicos, a disputa girava em torno de quanto deveriam pagar. Os impostos sobre vendas e sobre a propriedade representam um fardo pesado para as pessoas de recursos modestos, mas um fardo muito mais leve para os ricos. Portanto, os ricos tenderam a favorecer essas fontes de receita pública e a se opor a um imposto de renda progressivo, no qual os ricos pagariam uma alíquota maior do que os pobres. Uma longa batalha política por um sistema tributário baseado na capacidade contributiva levou à aprovação da 16ª Emenda à Constituição dos EUA, que autorizou o Congresso a instituir um imposto de renda.  

Inicialmente, o novo imposto de renda, embora progressivo, era de pequena escala. Mas, à medida que o governo federal assumiu novas e dispendiosas tarefas — particularmente o financiamento da participação dos EUA em duas guerras mundiais e na Guerra Fria — o imposto de renda federal cresceu proporcionalmente. Em 1944, a taxa oficial de imposto para os indivíduos de maior renda era de 94%, embora, graças a deduções, brechas legais e à limitação da taxa à parcela mais alta de sua renda, os americanos mais ricos, na realidade, pagassem uma taxa muito menor. 

Assim como seus antecessores abastados, muitos americanos ricos se indignavam com o financiamento de serviços públicos que beneficiavam pessoas que muitas vezes consideravam inferiores. Por que, perguntavam-se, seu dinheiro estava sendo “desperdiçado” em coisas como escolas públicas, habitação popular e saúde pública, enquanto “as melhores pessoas” frequentavam escolas particulares, moravam em mansões ou condomínios fechados e contratavam médicos particulares? Enquanto conversavam com amigos durante o almoço em seus iates ou em seus clubes de tênis, reclamavam das “rainhas do bem-estar social” e dos “pobres ingratos”.  

Consequentemente, o Congresso — pressionado pelos ricos, suas corporações e ideólogos conservadores — reduziu a progressividade do imposto de renda federal. Em 1964, a alíquota marginal máxima foi reduzida de 91% para 70%, em 1981 para 50% e em 2018 para 37%. 

Graças a esses cortes drásticos na alíquota do imposto de renda federal, além do tratamento tributário preferencial para dividendos e valorização de ações, títulos e outros investimentos, os americanos mais ricos conseguiram garantir uma alíquota de imposto muito menor do que a maioria dos americanos. De acordo com uma investigação da ProPublica, os 25 americanos mais ricos, que tiveram uma renda de US$ 401 bilhões entre 2014 e 2018, pagaram impostos sobre essa renda a uma alíquota de apenas 3,4%. Aliás, em alguns anos, os maiores bilionários do mundo — incluindo Elon Musk, Jeff Bezos, Michael Bloomberg e Carl Icahn — não pagaram nenhum imposto de renda federal.  

No que diz respeito à renda corporativa, o governo federal reduziu a alíquota do imposto corporativo de 53% para 21% entre 1969 e 2025. E isso também gerou enormes benefícios para os americanos muito ricos, que detêm a maior parte da riqueza do mercado de ações. Segundo o Instituto de Tributação e Política Econômica, 23 das maiores e mais lucrativas empresas dos EUA não pagaram nenhum imposto de renda corporativo federal entre 2018 e 2022. E 109 empresas não pagaram nenhum imposto federal em pelo menos um desses anos. 

As políticas tributárias do governo Trump elevaram a fortuna dos ricos a patamares sem precedentes. De acordo com um relatório de setembro de 2025 da Americans for Tax Fairness, a riqueza dos 15 bilionários mais ricos dos EUA aumentou mais de 300% após a aprovação do primeiro corte de impostos de Trump e do Partido Republicano, em dezembro de 2017. A riqueza do mais rico deles, Elon Musk, multiplicou-se por 20. No primeiro ano do segundo mandato de Trump, marcado por outro enorme corte de impostos para os ricos, a riqueza dos bilionários americanos saltou de US$ 6,7 trilhões para US$ 8,2 trilhões.  

Não surpreendentemente, a política tributária do governo — somada aos baixos salários, à terceirização corporativa, aos ataques aos sindicatos e aos subsídios governamentais para grandes empresas — resultou no aumento da desigualdade econômica nos Estados Unidos. No final de 2025, o 1% mais rico dos americanos possuía cerca de US$ 55 trilhões em ativos — aproximadamente o mesmo valor da riqueza detida pelos 90% mais pobres. “A riqueza das famílias está altamente concentrada e tornando-se cada vez mais concentrada”, relatou o economista-chefe da Moody’s Analytics, uma importante empresa de pesquisa financeira. 

Essa crescente desigualdade econômica amplia o poder dos ricos nos assuntos públicos. Cada vez mais, na política, o dinheiro fala alto — e em favor dos republicanos. As contribuições para eleições federais dos 100 americanos mais ricos tiveram uma média de US$ 21 milhões entre 2000 e 2010, mas ultrapassaram US$ 1 bilhão em 2024. Naquele ano, as contribuições para os republicanos saltaram de aproximadamente US$ 300 milhões para quase US$ 1 bilhão, enquanto as doações para os democratas caíram de cerca de US$ 300 milhões para menos de US$ 200 milhões. Um partido político de direita, liderado por um bilionário demagogo que prometia mais cortes de impostos, mostrou-se irresistível.  

Em contrapartida, a maioria dos americanos apoia propostas para aumentar os impostos sobre os ricos. De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center de março de 2025, a grande maioria dos americanos entrevistados era favorável ao aumento de impostos sobre os ricos e as corporações. Em janeiro de 2026, uma pesquisa da Economist/YouGov revelou que 80% dos entrevistados americanos consideravam a desigualdade de riqueza um problema, 80% afirmavam que os ricos detinham poder político excessivo e 78% consideravam os impostos sobre bilionários muito baixos.  

Chegou a hora de taxar os ricos. Ou, como cantava Pete Seeger: “Vá com calma, mas pague”. 

 Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações  e, portanto, sem a revisão dos autores. As opiniões expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as visões do ODTI. O texto original encontra-se no link do início. 

Trump quer interferir nas eleições brasileiras

ODTI

Neste texto o conhecido jornalista sindical americano, Mike Elk, se solidariza com o Brasil denunciando a pretensão trumpista de designar grupos criminosos brasileiros como “organizações terroristas”. O autor argumenta que além das possibilidades de interferência no Brasil que a medida propiciaria, ela também ajudaria a processar e deportar imigrantes brasileiros nos Estados Unidos. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto do Payday Report,  cujo fundador e autor desta reportagem esteve recentemente no Brasil, Mike Elk é um jornalista indicado ao Emmy.

Trump interfere nas eleições presidenciais brasileiras ao rotular grupos brasileiros de “terroristas” 

Mike Elk, publicado em 11 de março de 2026  

SÃO PAULO, BRASIL – Muitos diriam que o Brasil é a maior democracia ainda de pé nas Américas. Ao contrário dos Estados Unidos, que não processaram Trump por tentar fraudar as eleições de 2020, o Brasil, no ano passado, condenou seu ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentar assassinar Lula e orquestrar um golpe de Estado no país.  

Com as eleições presidenciais brasileiras marcadas para outubro, o governo Trump está interferindo no pleito para derrotar o presidente Lula, um crítico de esquerda. Atualmente, as pesquisas mostram que Lula está em uma disputa acirrada com o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro.  

Agora, a campanha do governo Trump contra Lula está prestes a se intensificar.  

Nesta semana, o site brasileiro UOL noticiou que o governo Trump pretende rotular as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como “organizações terroristas”. Em 2025, o governo Trump solicitou que o governo Lula os designasse como tal, mas o governo Lula recusou.  

Segundo a Folha de S.Paulo, o governo Lula realizou reuniões de emergência nesta semana, buscando maneiras de negociar com o governo Trump para evitar que os cartéis de drogas sejam rotulados como “organizações terroristas”.  

Ao rotular os cartéis de drogas como “organizações terroristas”, Lula teme que os Estados Unidos possam impor sanções econômicas ao Brasil caso o país não tome medidas que atendam aos desejos extremistas do governo Trump.  

O governo Trump também poderia forçar bancos internacionais a interromperem a participação no PIX, um popular serviço brasileiro de transferência eletrônica que permite transferir dinheiro sem pagar altas taxas. Muitos pequenos negócios se beneficiam por poderem evitar o custo das taxas de cartão de crédito.  

No entanto, Trump há muito acusa o PIX de ajudar terroristas a transferir dinheiro. Instituições financeiras há tempos buscam entrar no mercado brasileiro de transferência de dinheiro, mas o baixo custo do PIX torna isso praticamente impossível. 

A designação de grupos terroristas também poderia significar que o governo Trump poderia realizar ações militares diretas contra esses grupos dentro do Brasil. O governo Trump já conduz operações militares em países vizinhos, como Equador e Paraguai, e poderia facilmente expandir suas operações para o Brasil.  

Rotular os grupos como terroristas permitiria ao governo Trump contornar o governo Lula e realizar ações militares diretamente com as forças da Polícia Militar controladas por governadores de direita alinhados a Jair Bolsonaro.  

Em outubro, o governador de direita do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, usou a Polícia Militar sob seu comando para invadir uma favela controlada pelo PCC, matando 121 pessoas em uma ação denunciada pelo governo Lula como um “massacre”. Com o apoio militar dos EUA, governadores como Castro poderiam realizar incursões maiores e ainda mais letais com a assistência das Forças Armadas americanas.  

Por fim, ao designar os grupos como terroristas, o governo Trump poderia deportar brasileiros nos Estados Unidos com mais facilidade, acusando-os de serem “narcoterroristas”.  

No mês passado, em Pittsburgh, o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) deteve Bruno Guedes da Silva, um brasileiro de 38 anos, pai de uma menina de 6 anos que está internada em um hospital recebendo tratamento contra o câncer. Silva foi detido pelo ICE apesar de possuir um visto de trabalho.  

Posteriormente, o ICE acusou publicamente Silva de envolvimento no tráfico ilegal de armas para o Brasil. No entanto, uma investigação da emissora pública WESA, da NPR de Pittsburgh, não conseguiu encontrar nenhum mandado ou registro de envolvimento de Silva no tráfico de armas.  

Atualmente, Silva está preso aguardando uma audiência do ICE. Enquanto isso, a comunidade de Pittsburgh se mobilizou para apoiá-lo, arrecadando mais de US$ 100.000 para ajudar sua família.  

Somente em 2025, o governo Trump deportou 2.268 imigrantes. Ao rotular grupos como o PCC (Comando para a Cidadania do Brasil) e o Comando Vermelho como “organizações terroristas”, seria mais fácil para o governo Trump deportar imigrantes brasileiros como Silva, permitindo que cidadãos inocentes fossem enviados para prisões militares e tivessem seus direitos ao devido processo legal negados.  

Com Lula contestando publicamente a pressão de Trump para rotular esses grupos como “organizações terroristas”, o governo Trump busca retratar o governo Lula como apoiador dessas facções criminosas extremamente impopulares. Essa estratégia é central para sua campanha de interferência, moldando a percepção dos eleitores durante a eleição.  

Líderes sindicais no Brasil afirmam que a disputa é mais um sinal de que o governo Trump busca ajudar elementos fascistas a vencerem a eleição presidencial brasileira em outubro. 

 “Não há dúvida de que o governo Trump vai interferir em nossas eleições este ano”, disse Miguel Torres, presidente da Força Sindical, em entrevista ao Payday Report esta semana.  

No ano passado, outro filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal,Eduardo Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos depois que ficou claro que ele estava prestes a ser indiciado no esquema de seu pai para assassinar Lula e fraudar a eleição presidencial brasileira.  

O governo Trump concedeu abrigo a Bolsonaro nos Estados Unidos. Desde então, ele tem trabalhado em estreita colaboração com o governo Trump para coordenar planos sobre como os Estados Unidos poderiam influenciar a eleição presidencial brasileira.  

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal do Brasil autorizou Darren Beattie, um funcionário do governo Trump, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Posteriormente, após objeções do governo brasileiro, o pedido foi negado.  

Em fevereiro, Beattie foi nomeado por Trump como enviado especial para supervisionar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Figura controversa, Beattie frequentemente defende ideias supremacistas brancas. Ele elogiou a eugenia e participou com frequência de conferências nacionalistas racistas. 

 “Homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”, tuitou Beattie em 2024. 

 Beattie chegou a promover teorias da conspiração de que o Partido Trabalhista britânico fraudou as eleições parlamentares de 2024, que venceu com folga. 

 “O regime governante no Reino Unido é muito menos legítimo do que Saddam Hussein no Iraque antes da invasão americana — e, aliás, muito menos legítimo do que o regime de Maduro na Venezuela”, escreveu Beattie em 2024.  

Agora, Beattie, que não fala português, queria se reunir diretamente com Bolsonaro, como mais um sinal de que Trump pretende tomar medidas extremas antes das eleições presidenciais brasileiras de outubro.  

Enquanto o governo Trump se envolve profundamente na política brasileira, infelizmente, a maioria dos americanos não está prestando atenção. Líderes sindicais como Miguel Torres dizem que os americanos deveriam estar atentos.  

“Sabemos que Trump vai ajudar Bolsonaro a tentar vencer esta eleição”, diz Torres. “O que precisamos é de solidariedade internacional para derrotar essas tentativas de minar a democracia brasileira.”  

Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações , e portanto sem a revisão dos autores. As opiniões expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as visões do ODTI. O texto original inteiro encontra-se no link do início.

Por que não existe mais um movimento anti-guerra nos EUA?

ODTI

Este texto discute as formas de reviver nos Estados Unidos um movimento contra a guerra nos moldes do vitorioso movimento contra a guerra do Vietnã. Trata-se de uma discussão importante e que dá ênfase a duas questões importantes para a nossa reflexão aqui no Brasil: em primeiro lugar “idéia de que o que você faz não fará diferença”, ou seja da pouca utilidade da mobilização e mais uma, um pouco contraditória, a idéia de que é fácil, hoje, com as novas tecnologias, mobilizar os apoiadores, sem tentar atrair e convencer novas pessoas, sem contato pessoal, sem organização. Isso parece uma situação familiar, e num momento, que vai se tornando cada vez mais fundamental criar um forte movimento. 

Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto do Labor Politics, um blog sobre “organização e política da classe trabalhadora”.

Por que não existe um movimento anti-guerra nos EUA?   

A guerra de Trump contra o Irã é impopular, perigosa e está se intensificando. Mas, sem organização, a indignação pública não a deterá.

Eric Blanc, publicado em 9 de março de 2026.  

A guerra de Donald Trump contra o Irã é extremamente impopular. Como observa o pesquisador G. Elliot Morris, é a guerra mais impopular da história dos EUA desde o seu início. E “com apenas 38% dos americanos a favor, o apoio ao bombardeio do Irã é menor do que o apoio retrospectivo à guerra no Iraque em 2014”.

Por que, então, houve tão poucos protestos coletivos contra a ofensiva EUA-Israel? Responder a essa pergunta não é fácil. O que se segue são sete hipóteses, e não conclusões definitivas. Mas explorar por que não temos um movimento anti-guerra hoje pode nos ajudar a começar a construir um. E, pelo bem dos iranianos, do Oriente Médio e dos trabalhadores nos EUA, é melhor que façamos isso o mais rápido possível. 

1) Americanos se sentem impotentes. Uma das principais razões pelas quais tantos jovens na década de 1960 se lançaram na luta contra o envolvimento militar dos EUA no Vietnã foi que o movimento pelos direitos civis havia recentemente demonstrado o poder da ação em massa. Como dizia o manifesto de fundação da Students for a Democratic Society (SDS) em 1962, “a luta do Sul contra o preconceito racial… compeliu a maioria de nós do silêncio ao ativismo”. Olhando para trás, um participante lembrou que tais exemplos de sucesso “davam a sensação de que você realmente podia fazer a diferença, de que precisava se posicionar”.

Agora, o maior obstáculo que enfrentamos em nosso país é uma sensação generalizada de impotência. A líder da SDS, Bernardine Dohrn, estava certa ao ressaltar a diferença entre aquela época e o momento atual: “O que nos impede hoje, para mim, é a ideia de que o que você faz não fará diferença”.  

Para superar esse sentimento de resignação, precisamos de mais exemplos inspiradores de lutas bem-sucedidas. A bem-sucedida resistência em massa de Minnesota contra o ICE, por exemplo, começou a energizar o ativismo em todo o país. O desafio agora é encontrar e ampliar campanhas de baixo para cima com chances de sucesso, como fazer com que nossas escolas rompam com o ICE ou que milhões de consumidores abandonem empresas como a OpenAI, que estão dando suporte à máquina de guerra de Trump. Provar na prática que temos poder em batalhas menores pode inspirar milhões a se juntarem à luta contra os piores horrores desta administração, tanto no país quanto no exterior.  

2) As pessoas esperam que a guerra termine rapidamente. Como muitos outros, acordo todas as manhãs na esperança de ver uma manchete sugerindo que o sempre volúvel Trump decidiu declarar uma vitória rápida no Irã, como fez na Venezuela. Pelo menos, nesse caso, novas atrocidades contra civis seriam interrompidas.  

Dado o desinteresse da administração em tentar fabricar consentimento para esta guerra e os óbvios riscos políticos do aumento dos preços da gasolina, tem sido difícil acreditar que Trump arriscaria tão voluntariamente sua presidência — para não mencionar as vidas de iranianos e militares americanos — em uma guerra longa.Intervenção armada sem um objetivo final claro. Mesmo assim, a guerra continua a se intensificar.  

O fato de Trump ter agido tão rapidamente e com tão pouco respeito pela opinião pública deixou muitos de nós em estado de choque. Enquanto George W. Bush passou um ano tentando nos convencer a invadir o Iraque — desencadeando um processo deliberativo no qual protestos em massa poderiam intervir —, a rapidez de Trump e seu descaso com a opinião pública criaram pouco espaço para que os americanos deixassem de ser meros espectadores. Isso ajuda a explicar o paradoxo de por que uma guerra excepcionalmente impopular tenha recebido, até agora, tão poucos protestos em massa. Mas, enquanto a guerra continuar, espere que um número crescente de pessoas comece a tomar medidas coletivas.  

E mesmo que Trump declare vitória nos próximos dias ou semanas, é improvável que isso impeça suas ambições imperialistas. Ainda precisaremos intensificar nossa mobilização contra a guerra para impedir a pressão do governo por uma mudança de regime em Cuba, seu financiamento contínuo a Israel, sua beligerância em relação à China — e para fazer da eleição presidencial de 2028, em parte, um referendo sobre os gastos militares descontrolados, as guerras imperialistas dos EUA e o apoio dos EUA ao Estado genocida de Israel.  

3) Trump está fazendo tantas coisas horríveis. Em contraste com George W. Bush — cujas façanhas imperialistas eram seu foco singular — é fácil se sentir sobrecarregado pelos ataques generalizados de Trump e é difícil responder rapidamente a cada nova atrocidade. Nossas forças organizadas estão sobrecarregadas. Pessoalmente, tenho dedicado cerca de dez horas diárias de trabalho voluntário no último mês para apoiar a nova campanha Schools Drop ICE; não tive uma única hora extra para me organizar em torno de outra questão ultimamente, o que limita minha capacidade de participar de outros esforços essenciais, como a organização contra esta guerra.  

A boa notícia é que os próximos protestos “No Kings” em 28 de março e o dia de interrupção em 1º de maio oferecem excelentes oportunidades para reunir todas as nossas reivindicações e lutas contra Trump. A oposição à guerra provavelmente será um dos principais pontos de discussão.sua beligerância em relação à China — e fazer da eleição presidencial de 2028, em parte, um referendo sobre gastos militares descontrolados, guerras imperialistas dos EUA e o apoio dos EUA ao estado genocida de Israel.  

4) As pessoas confundem mobilização com organização. Mesmo que as próximas ações do “No Kings” e do Dia do Trabalho sejam massivas e denunciem a dominação imperial do Irã a Cuba e à Palestina, isso não significa necessariamente que reconstruímos um movimento poderoso contra o regime de Trump em geral ou suas guerras em particular. Um movimento é um movimento na medida em que pessoas comuns se organizam entre os protestos — em outras palavras, quando se envolvem ativamente para conquistar outras pessoas para a causa.  

Um dos desafios da nossa era atual é que as tecnologias digitais tornam muito mais fácil levar os apoiadores existentes às ruas sem muita infraestrutura organizacional ou contato pessoal. Em outras palavras, as mídias sociais facilitam a mobilização. Mas, por outro lado, grandes protestos não demonstram tanto poder quanto antes, e sua preparação não constrói o mesmo tipo de relações no terreno e novas lideranças das quais os movimentos dependem para sua força.  

O líder do SDS, Mark Rudd, está certo ao afirmar que os jovens de hoje “carecem de instrução sobre como realizar o árduo trabalho de organização interpessoal. Em vez disso, a juventude contemporânea fica apenas com as fotos icônicas dos protestos dos anos 60 — e com pouco entendimento do trabalho que inspirou tais protestos em primeiro lugar”.  

Angela Davis explica isso ainda mais claramente:  

As manifestações deveriam demonstrar o poder potencial dos movimentos. … Mas hoje em dia tendemos a pensar nesse processo de tornar o movimento visível como a própria essência do movimento. Se for esse o caso, então os milhões que voltam para casa após a manifestação concluíram que não se sentem necessariamente responsáveis ​​por construir mais apoio para a causa.  

É por isso que devemos encarar o 28 de março e o 1º de maio não como protestos isolados, mas como mecanismos para recrutar, integrar e treinar o máximo de pessoas possível para campanhas contínuas.  

5) O sectarismo contribuiu para marginalizar o movimento pacifista. Em vez de construir a oposição mais ampla e profunda possível à ajuda militar e às intervenções dos EUA no exterior, grande parte do movimento pacifista nos últimos anos tem se apoiado em retórica e slogans alienantes e excessivamente radicais, ao mesmo tempo que vincula demandas amplamente apoiadas contra a guerra à romantização injustificada e contraproducente de todas as forças “anti-imperialistas”. Opor-se consistentemente ao imperialismo não exige justificar o assassinato de civis pelo Hamas ou a repressão da República Islâmica contra ativistas pró-democracia.  

E, em vez de concentrar seus ataques em políticos como Trump, Biden e Schumer, que incentivaram ou permitiram atrocidades no exterior, uma quantidade estranhamente alta de energia ativista tem sido direcionada para denunciar autoridades eleitas como Alexandria Ocasio-Cortez. Embora ela nunca tenha votado a favor da ajuda militar dos EUA a Israel e tenha se oposto veementemente à guerra no Irã,  

Infelizmente, o impacto e a continuidade de muitos acampamentos justos em solidariedade à Palestina foram prejudicados por uma retórica provocativa que oponentes cínicos poderiam facilmente deturpar, por um foco excessivo na “cultura de segurança” ativista e pela ausência de esforços concertados para conquistar e mobilizar a maioria nos campi universitários. A intensa repressão contra esses esforços valentes, mas relativamente isolados, inibiu a organização nos campi. Especialmente porque os estudantes são frequentemente a vanguarda da organização contra a guerra e contra o autoritarismo, reviver uma cultura de política de massas nas universidades continua sendo uma tarefa fundamental. 

 Revivendo um Movimento Contra a Guerra: Que medidas podemos tomar para ajudar a reviver um poderoso movimento contra a guerra nos EUA? De forma mais imediata, cada um de nós — e cada uma das organizações às quais pertencemos — pode se comprometer não apenas a participar das manifestações “No Kings” de 28 de março, mas também a se empenhar ao máximo para convidar nossos vizinhos, colegas de trabalho, colegas estudantes e membros da igreja a se juntarem a nós. Você pode aproveitar a oportunidade para perguntar o que eles acham da guerra com o Irã ou do ICE; observe como é absurdo que os EUA gastem quase um trilhão de dólares por ano em guerras enquanto pessoas comuns não conseguem sobreviver em casa; e então, de forma amigável, convide-os para se juntarem a você no protesto.  

E não fale apenas com as pessoas que você sabe que já são de esquerda. A maioria dos americanos é fortemente contra essa guerra e simplesmente não sabe o que fazer a respeito. É hora de ampliar o alcance e romper com nossas bolhas. É isso que torna um movimento real. E é isso que pode desencadear o tipo de protesto pacífico em massa no trabalho, na escola e em outros lugares que Trump e a máquina de guerra não podem se dar ao luxo de ignorar.  

Um segundo passo concreto que você pode dar é apoiar a campanha QuitGPT. Esse boicote ganhou um nível adicional de urgência — e conteúdo anti-guerra — depois que o Pentágono, há duas semanas, se recusou a aceitar as estipulações do contrato da Anthropic que impediam o uso de sua IA para vigilância em massa. 

Mas também é preciso se empenhar ao máximo para alcançar nossos vizinhos, colegas de trabalho, colegas de estudo e membros da igreja, convidando-os a se juntarem a nós. Você pode aproveitar a oportunidade para perguntar o que eles acham da guerra com o Irã ou do ICE; observar como é absurdo que os EUA gastem quase um trilhão de dólares por ano em guerras enquanto pessoas comuns não conseguem sobreviver em casa; e então, de forma amigável, convidá-los para participar do protesto. E não fale apenas com as pessoas que você sabe que já são de esquerda.  

A maioria dos americanos é fortemente contra essa guerra e simplesmente não sabe o que fazer a respeito. É hora de ampliar o alcance e romper com nossas bolhas. É isso que torna um movimento real. E é isso que pode desencadear o tipo de protesto pacífico em massa no trabalho, na escola e em outros lugares, que Trump e a máquina de guerra não podem se dar ao luxo de ignorar. 

Assim como o movimento Tesla Takedown conseguiu forçar a saída de Elon Musk da Casa Branca, o QuitGPT também pode punir a OpenAI por permitir que uma máquina militar americana massacre meninas do ensino fundamental no Irã e acelere o mundo rumo à catástrofe. Diferentemente de muitos boicotes online, este é um esforço organizado com impacto mensurável, no qual as pessoas podem se envolver para ajudar a ampliar seu alcance. Segundo os organizadores do QuitGPT, mais de 4 milhões de pessoas já participaram do boicote.  

Trump quer que acreditemos que somos impotentes para impedi-lo. Mas a realidade é que este é um regime amplamente impopular travando uma das guerras mais impopulares da história dos EUA. À medida que o número de mortos, os preços do petróleo e os custos para o contribuinte americano continuam a aumentar, os americanos buscarão cada vez mais maneiras de deter o derramamento de sangue. Uma ação coletiva em massa nessa direção já deveria ter acontecido há muito tempo.  

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Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações , e portanto sem a revisão dos autores. As opiniões expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as visões do ODTI. O texto original inteiro encontra-se no link do início. 

EUA em protestos massivos contra a agência federal de imigração

Silvia Portela 

O Dia Nacional de Luta “Fora ICE”, que se originou a partir da luta em Minneapolis, alcançou milhares de pessoas nos Estados Unidos, com destaque para o Oregon e a California, fechando escolas e empresas em mais de 120 cidades. 

Os assassinatos de Renee Good e Alex Pretti por agentes federais em Minnesota ampliou a indignação e os protestos contra Trump em todo a país. A triste ironia de Good e Pretti, ambos brancos, terem sido mortos na mesma cidade em que morreu George Floyd em 2020, assassinado por um policial de Minneapolis, ilustra a insegurança que ameaça os Estados Unidos. Cabe lembrar que o assassinato de Floyd, que impulsionou o movimento “Black lives”, também marcou a fim da primeira administração de Trump. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto da  Anadolu Agency (AA), a tradicional agência de notícias turca, fundada em abril de 1920.

Protestos em massa contra a agência federal de imigração ocorrem nos EUA, com milhares de pessoas se manifestando na Califórnia e no Oregon. 

Darren Lyn, publicado em 31 de janeiro de 2026 e atualizado no dia 01 de fevereiro. 

Grandes manifestações contra as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) ocorreram em todo os EUA na sexta-feira, com milhares de manifestantes tomando as ruas em um dia nacional de luta que os organizadores denominaram “Fora ICE”.  

A insatisfação de muitos americanos com os agentes do ICE foi exemplificada pelos milhares de manifestantes que foram às ruas de Los Angeles.  

Na sequência da repressão à imigração promovida pelo governo Trump, que resultou nas mortes de Renee Good e Alex Pretti, ambos americanos, por agentes do ICE no estado de Minnesota, manifestantes em Los Angeles expressaram sua frustração e medo com as violentas operações do ICE, que têm ocorrido em muitos estados governados por democratas, como a Califórnia.  

“Eu nasci em Los Angeles e vi tantos vizinhos, tantos amigos meus — pessoas que ajudaram a construir esta cidade — sendo tirados de nós”, disse um manifestante à emissora de televisão KTLA. “Não posso ficar parado e assistir ao que está acontecendo.”  

Além de marchas e manifestações, os organizadores do movimento ICE Out incentivaram os americanos a faltarem ao trabalho, à escola e a deixarem de fazer compras em lojas na sexta-feira, em solidariedade à oposição ao programa federal de imigração do governo Trump.  

Manifestantes entraram em confronto com a polícia em frente ao prédio federal em Los Angeles, onde atiraram lixo e garrafas contra os policiais, o que levou ao uso de spray de pimenta contra a multidão, segundo repórteres que cobriam os protestos.  

Líderes locais, incluindo o deputado federal Brad Sherman e o vereador de Los Angeles Bob Blumenfield, juntaram-se às manifestações, criticando as táticas federais contra a imigração e exigindo mudanças nas políticas do governo Trump.  

Sherman disse a repórteres que esperava que os protestos levassem o governo a reconsiderar sua abordagem, enquanto Blumenfield afirmou que os manifestantes estavam levantando suas vozes “o mais alto que podemos aqui… e em todo o país”.  

Centenas de estudantes do ensino médio em Los Angeles fizeram greves, juntando-se aos protestos em vez de frequentar as aulas. Algumas empresas no sul da Califórnia anunciaram o fechamento temporário de suas lojas em apoio ao movimento anti-ICE.  

“Está crescendo”, disse um manifestante à KTLA. “Isso nos mostra que somos mais numerosos do que eles.”  

Vigílias à luz de velas foram planejadas para a noite de sexta-feira em homenagem a Good, Pretti e outros mortos durante os protestos relacionados à imigração em Minnesota.  

Os manifestantes esperam que os protestos em massa pressionem os líderes federais a diminuir a agressividade e a violência das operações do ICE.  

No estado do Oregon, veteranos americanos realizaram um protesto no prédio federal da cidade de Eugene para expressar sua oposição às injustiças percebidas na conduta violenta dos agentes do ICE durante as batidas de imigração. 

Membros do grupo Veteranos pela Paz enfatizaram que seu objetivo é responder às táticas violentas do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) realizando manifestações pacíficas e não violentas.  

“Não somos violentos, estamos protestando pacificamente”, disse a porta-voz do grupo, Pat Driscoll, em entrevista. “Não vamos deixar isso acontecer sem nos manifestarmos e expressarmos nossas opiniões.” 

 O objetivo do grupo é promover a união entre o governo e o povo americano afetado pelas violentas operações do ICE. “Precisamos nos unir”, disse Driscoll. 

 “Precisamos nos organizar juntos, porque ninguém mais vai nos proteger.” 

Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações, e portanto sem a revisão do autor. As referencias são encontradas no original. . As opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as visões do ODTI.

Caso Renee Good: Minneapolis convoca greve e resistência nos EUA

AFL-CIO de Minneapolis convoca greve geral  

Silvia Portela 

Trazemos neste texto a importante notícia da convocação de uma greve geral pela organização regional da AFL-CIO contra as políticas migratórias de Trump, especialmente a atividade criminosa do ICE em Minneapolis e outras cidades americanas. Todos os progressistas devem saudar a luta que a classe trabalhadora estadunidense inicia para enfrentar o trumpismo. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto do site noticioso PayDay Report, “que mostrou sua habilidade em influenciar a conversa no movimento sindical”.

A AFL-CIO de Minneapolis convoca greve geral para sexta-feira, enquanto o movimento se espalha para outras cidades.  

Por Mike Elk

Neste fim de semana, a AFL-CIO de Minneapolis endossou uma convocação para uma greve geral para sexta-feira, 23 de janeiro, em resposta às contínuas operações e batidas do ICE em Minneapolis.  

A convocação ocorre no mesmo dia em que Trump anunciou que a Guarda Nacional poderia ser mobilizada para as Cidades Gêmeas para conter os protestos. Trump já colocou em alerta 1.500 soldados da 11ª Divisão Aerotransportada e os avisou que podem ser enviados para Minnesota.  

Minneapolis rapidamente se tornou o campo de batalha mais acirrado para ativistas que lutam contra o ICE, após um agente do ICE assassinar Renee Good, uma observadora legal que monitorava o ICE.  

Agora, uma greve geral endossada pela AFL-CIO de Minneapolis pode intensificar a luta e inspirar sindicatos em outras cidades a entrarem em greve contra as contínuas operações do ICE. Diversas outras federações trabalhistas regionais já endossaram a greve, e outros sindicatos em todo o país podem ser ainda mais inspirados a agir.  

“A Federação Regional do Trabalho de Minneapolis, AFL-CIO, juntamente com entidades regionais em todo o estado, incluindo a Federação Regional do Trabalho de Saint Paul, o Conselho Trabalhista da Área Oeste, o Conselho Trabalhista da Área Nordeste e o Conselho Trabalhista do Centro-Leste, uniram-se em solidariedade para apoiar uma poderosa luta unificada em todo o estado no dia 23 de janeiro: Dia da Verdade e da Liberdade”, declararam os sindicatos em um comunicado. “O movimento trabalhista de Minnesota está unido contra a violenta ocupação do ICE em nossas amadas cidades, que impactou diretamente os membros dos sindicatos, nossos locais de trabalho e nossas famílias.” 

 Chelsie Glaubitz Gabiou, presidente da Federação Regional do Trabalho de Minneapolis, AFL-CIO, disse que a greve é ​​necessária para que os líderes empresariais quebrem o seu silêncio sobre a imigração.  

“Pais estão sendo forçados a ficar em casa, estudantes estão sendo impedidos de ir à escola, temendo por suas vidas, enquanto a classe empregadora permanece em silêncio”, disse Gabiou. “Nossas federações trabalhistas estão incentivando todos a participarem no dia 23 de janeiro. É hora de cada cidadão de Minnesota que ama este estado e a ideia de verdade e liberdade levantar a voz e aprofundar sua solidariedade com nossos vizinhos e colegas de trabalho que vivem sob esta ocupação federal.” 

 A greve já começou a se espalhar para outras cidades dos Estados Unidos, com ações de solidariedade sendo planejadas em dezenas de cidades. 

Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações.. As opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as visões do ODTI. 

Pressão de Trump sobre Venezuela expõe fragilidade regional e disputa por minerais críticos

A escalada de pressões dos Estados Unidos sobre a Venezuela, sob o governo de Donald Trump, não é um episódio isolado de sua política externa agressiva, mas parte de uma disputa global por recursos estratégicos, do petróleo às terras raras, que pode redesenhar o tabuleiro de poder na América do Sul. O alerta foi feito por especialistas em geopolítica, energia e mineração em debate promovido pelo Projeto Brasil, na TV GGN, que reuniu a pesquisadora Astrid Aguilera Cazalbon, pesquisadora do Grupo de Estudos sobre Segurança Energética (GESENE/UFPB), e o professor Fernando Landgraf, da Escola Politécnica da USP. [Assista a íntegra no fim da matéria]

Segundo os analistas, a investida contra Caracas expõe não apenas a vulnerabilidade venezuelana, mas a fragilidade de toda a arquitetura regional de integração e defesa de recursos naturais. Em paralelo, escancara o vazio de uma política brasileira consistente para terras raras, minerais críticos para a indústria de alta tecnologia, em um momento de reorganização das cadeias globais.

Pressão sobre a Venezuela e risco sistêmico

Astrid Aguilera avalia que a estratégia de Washington mira diretamente o controle de recursos energéticos e infraestruturas críticas, com efeitos que extrapolam as fronteiras venezuelanas. “Qualquer processo de ataque, mesmo que pareça isolado em um país, representa um ataque à soberania de todos os outros países da região e do subcontinente como um todo”, afirmou.

Na leitura da pesquisadora, a ofensiva de Trump contra Caracas configura “um ataque direto à nossa soberania e à estabilidade da região”, com potencial de deflagrar conflitos de maior escala. O temor é que disputas em torno de petróleo e gás acabem deslocadas para áreas sensíveis, como a margem equatorial brasileira, ampliando riscos à segurança energética regional.

O debate destacou que, historicamente, episódios de intervenção ou sanções severas contra países produtores não se restringem ao plano diplomático: tendem a impactar fluxos comerciais, investimentos, cadeias de abastecimento e até infraestruturas físicas, fatores que, em um continente interdependente, reverberam além das fronteiras nacionais.

Silêncio institucional e paralisia regional

Apesar da gravidade do cenário, Astrid apontou a ausência de posicionamentos públicos por parte de organismos que deveriam liderar respostas coordenadas. “Hoje faz muita falta ter instituições fortes que consigam construir uma posição conjunta em defesa dos nossos recursos”, disse, ao citar o esvaziamento de instâncias como a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).

Entidades técnicas voltadas à integração energética, como a Organização Latino-Americana de Energia (Olade), a Associação Regional de Empresas de Petróleo e Gás (Arpel) e a Comissão de Integração Energética Regional (CIER), também não apresentaram manifestações formais contra ataques à infraestrutura ou à soberania energética venezuelana.

O Mercosul, que em 2018 se pronunciou sobre a crise humanitária no país, tampouco divulgou declaração recente sobre o agravamento do quadro político e geopolítico. O mesmo ocorre com o Consenso de Brasília, criado em 2023, apesar de a Venezuela integrar o bloco.

Para os especialistas, essa inércia reflete divergências políticas internas e a dificuldade de construir consensos mínimos em um cenário de fragmentação regional, agravado pelo distanciamento da Argentina do atual governo Javier Milei em relação aos mecanismos de integração sul-americana.

Terras raras: corrida global, política nacional ausente

Enquanto a geopolítica do petróleo volta ao centro das tensões internacionais, outro eixo estratégico ganha força: as terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais à produção de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, mísseis, satélites e chips avançados. Apesar de deter algumas das maiores reservas do mundo, o Brasil segue sem uma política estruturada para o setor e permanece majoritariamente como exportador de matéria-prima.

“Não existe hoje uma política de terras raras no Brasil. O que existe é a possibilidade de qualquer empresa, inclusive estrangeira, deter áreas de mineração no país”, afirmou Fernando Landgraf.

Segundo o professor, todos os projetos em andamento estão vinculados a capitais internacionais, sobretudo australianos e canadenses, em parte porque investidores nacionais se afastam de iniciativas de longo prazo diante do custo elevado do crédito. “Com a taxa de juros nesse patamar, o capital brasileiro não tem apetite para esse tipo de investimento”, disse.

Landgraf observa ainda que parte desses agentes atua de forma especulativa, adquirindo direitos minerários sem compromisso imediato com produção, tecnologia ou agregação de valor. “Muitos são aventureiros ou especuladores que só querem valorizar a área para depois vender”, afirmou.

Exportação primária e dependência tecnológica

Um dos principais riscos, segundo os especialistas, é a repetição do padrão histórico de exportação de matéria-prima sem beneficiamento local. Landgraf citou o projeto “Clara” como exemplo: embora avançado do ponto de vista minerário, prevê que a separação dos minerais, etapa mais complexa e tecnologicamente sofisticada, seja realizada nos Estados Unidos, com financiamento do governo americano.

Você exporta o minério e importa o produto de alto valor agregado”, disse o pesquisador, ao apontar que essa dinâmica perpetua a dependência tecnológica e bloqueia o desenvolvimento de uma indústria nacional de ímãs permanentes, componentes-chave da transição energética.

Hoje, iniciativas brasileiras concentram-se em esforços pontuais, como o laboratório-fábrica do SENAI em Minas Gerais e pesquisas no CTEN e no CDTN, ainda restritas à escala experimental. A separação dos 17 elementos das terras raras, destacou Landgraf, permanece um gargalo tecnológico não superado no país.

Risco ambiental e dilemas regulatórios

Outro ponto sensível é o impacto ambiental da mineração de terras raras, sobretudo em regiões vulneráveis. Landgraf alertou para a ausência de estudos robustos sobre os efeitos dessas tecnologias em áreas como Poços de Caldas (MG). “Não sabemos ainda qual é o impacto ambiental real dessas novas rotas de mineração”, disse.

No Congresso, propostas para criar impostos de exportação ou mecanismos de proteção às matérias-primas enfrentam resistência, sob o argumento de que poderiam inviabilizar o surgimento de mineradoras nacionais. O impasse revela, segundo os debatedores, a falta de uma estratégia de Estado capaz de equilibrar soberania, sustentabilidade e desenvolvimento industrial.

Soberania energética e integração em xeque

Para Astrid, a ausência de uma política regional articulada e a dependência crescente de capitais externos colocam em risco a própria ideia de soberania energética coletiva. “A integração energética depende de infraestrutura compartilhada. Um ataque à soberania de um país não fica contido nele, desloca conflitos e vulnerabilidades para os vizinhos”, afirmou.

Na avaliação dos especialistas, sem instituições supranacionais fortes e sem políticas nacionais robustas para recursos estratégicos, a América do Sul tende a seguir como fornecedora de insumos brutos em um mundo cada vez mais competitivo, justamente no momento em que potências disputam petróleo, minerais críticos e cadeias industriais associadas à transição energética e à segurança tecnológica.

O resultado, alertam, é a ampliação da vulnerabilidade externa e a perda de margem de manobra estratégica em um tabuleiro internacional cada vez mais hostil aos países que não controlam suas próprias matérias-primas, tecnologias e cadeias de valor.

Confederações Internacionais condenam ataque à Venezuela

Trazemos esta declaração conjunta da Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical das Américas (CSA) que condena o ataque desfechado por Trump ao povo e ao governo venezuelano

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto da página da Confederação Sindical Internacional que tem como principal missão “a promoção e a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, por meio da cooperação internacional entre sindicatos, campanhas globais e defesa de direitos junto às principais instituições globais.”

Silvia Portela

A CSI e a TUCA condenam veementemente o ataque militar dos EUA à Venezuela e a violação de sua soberania.

A Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical das Américas (CSA) expressam sua rejeição absoluta e inequívoca à operação militar realizada hoje pelo governo dos Estados Unidos da América no território da República Bolivariana da Venezuela.

A Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical das Américas (CSA) expressam sua rejeição absoluta e categórica à operação militar realizada nas primeiras horas de hoje, 3 de janeiro de 2026, pelo governo dos Estados Unidos da América na República Bolivariana da Venezuela.

Considerando a gravidade dos eventos, que incluem o bombardeio de instalações em Caracas e a confirmação pelo governo dos EUA da captura e sequestro do presidente Nicolás Maduro, o movimento sindical internacional:

  • Condena a intervenção militar: Denunciamos esta ação como uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e dos princípios fundamentais do direito internacional. O uso da força militar e a incursão no território de uma nação soberana constituem um ato de guerra inaceitável que ameaça a paz e a estabilidade de toda a região.
  • Defende a soberania e a autodeterminação: Em consonância com nossa histórica defesa da autonomia dos povos e em apoio às declarações dos governos da região que exigem respeito irrestrito à soberania da Venezuela, rejeitamos qualquer tentativa de mudança de regime por meio do uso da força ou interferência estrangeira. O destino da Venezuela deve ser determinado unicamente pelo povo venezuelano, por meios democráticos e pacíficos, sem tutela imperial.
  • Exige respeito aos direitos humanos: Unimo-nos às urgentes demandas internacionais por provas de que o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão vivos, pelo respeito à sua integridade física e por sua libertação, bem como a de quaisquer outros cidadãos detidos nesta operação ilegal. É imprescindível que a comunidade internacional receba total transparência sobre sua situação atual.
  • Apela à paz e ao diálogo: Compartilhamos a posição expressa pelos governos do Brasil, do México e de outras nações soberanas, que condenam a violência e ressaltam a necessidade urgente de retorno aos canais diplomáticos. A região deve permanecer uma Zona de Paz; não permitiremos que a América Latina seja arrastada para um conflito armado por interesses geopolíticos que não são os de nossos povos.

“De forma alguma esses atos defendem a democracia. São claros atos de agressão no contexto de uma agenda de política externa militarizada, impulsionada por interesses econômicos unilaterais”, afirmou o Secretário-Geral da CSI, Luc Triangle. “Ameaças de sequestro e o uso indevido dos tribunais para atacar um governo soberano minam o Estado de Direito, internacionalmente,“E estabelecem um precedente para a coerção imperialista que representa uma ameaça à paz em todo o mundo.”

“Nós, o movimento sindical das Américas, condenamos o ataque militar e o sequestro do presidente Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, uma violação da soberania e integridade da Venezuela e de toda a América Latina e Caribe, declarada Zona de Paz pela CELAC em 2014. Estamos lançando mecanismos internacionais de solidariedade com o povo e os trabalhadores da Venezuela”, disse o secretário-geral da CSA, Rafael Freire. “Defendemos a Venezuela e toda a América Latina como um território de paz. Não aceitamos a invasão e o uso da violência contra nossos povos e territórios. O movimento sindical está, como sempre, na linha de frente da defesa da soberania e da autodeterminação, da democracia e dos direitos humanos.”

A CSI e a CSA permanecem mobilizadas contra a interferência imperialista, militar ou econômica de um país em outro, contra as guerras e na firme defesa da paz, da democracia e do multilateralismo.

Pela soberania, paz e autodeterminação de todos os povos.

Este texto foi traduzido do inglês com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações.

O CLACS publica artigos em seu blog a partir de diversas perspectivas. As opiniões expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as visões do CLACS ou da UC Berkeley.

EUA: Onde estão os Sindicatos? 

Silvia Portela 

Crescem os protestos contra Trump, mas…

Onde estão os Sindicatos? 

O texto que trazemos argumenta que a pequena participação dos sindicatos nos protestos No Kings em Nova Iorque representa uma fraqueza do movimento, pois, mais que nunca para evitar a manipulação e as fraudes nas próximas eleições, será necessária a luta no local de trabalho. 

Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais, vinculado ao Instituto Lavoro traduziu este texto e outras informações da revista Jacobin, que se apresenta como a principal voz da esquerda americana, oferecendo perspectivas socialistas sobre política, economia e cultura.

 

O movimento anti-Trump está crescendo.  

Onde está o trabalho?  

Centenas de milhares marcharam nos protestos “No Kings” na cidade de Nova York no último fim de semana, assim como milhões fizeram em outros lugares nos EUA. A presença marginal do trabalho organizado nos protestos de Nova York foi emblemática de sua oposição anêmica a Trump em geral.  

Por Marc Kagan, publicado em 22 de outubro de 2025 

Enquanto dezenas de milhares de nova-iorquinos desciam a Sétima Avenida da Times Square em direção ao ponto de dispersão na Fourteenth Street para o protesto “No Kings” da cidade no sábado, 18 de outubro, uma marcha separada de talvez cinco mil esperava incertamente a um longo quarteirão de distância. Na frente, os líderes da marcha cantaram “De quem são as ruas? Nossas ruas!” — aparentemente alheio à ironia de que o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) estava naquele momento se recusando a permitir que marchasse para a parte alta da cidade e para o oeste para se juntar ao protesto muito maior. Atrás deles, os manifestantes estavam, agora em sua maioria silenciosos e incertos: O que foi planejado? Por que estávamos esperando? Finalmente, a palavra voltou: disperse-se e caminhe para o leste na calçada até a Union Square, onde os manifestantes foram informados, incorretamente, de que se encontrariam com a marcha principal. 

A marcha trabalhista de sábado forneceu quase a metáfora perfeita para a saúde do “movimento” sindical da cidade de Nova York: incapaz ou não disposto a mobilizar seus 750.000 membros em números substantivos, irresoluto e pouco claro em seus planos, mantendo seus próprios membros no escuro e com medo ou não querendo desafiar os ditames da polícia de Nova York. E em vez de se esforçar para fornecer organização e liderança a centenas de milhares de nova-iorquinos comuns que protestavam contra Trump, o trabalho organizado sinalizou que estava propositadamente separado.  

Embora a marcha tenha sido convocada pelo Conselho Central do Trabalho de Nova York (CLC), faltavam grandes segmentos da mão de obra de Nova York em ação no ponto de montagem. Praticamente todas as empresas de construção civil — talvez apoiem as políticas de Trump ou simplesmente tenham medo de seus próprios membros, mesmo quando Trump está fechando grandes projetos de construção financiados pelo governo para transporte público, eólico e solar; os serviços uniformizados — não apenas policiais e agentes penitenciários, mas também saneamento e bombeiros; todos os integrantes locais do Teamsters, incluindo 237, o segundo maior sindicato de trabalhadores municipais; os trabalhadores em trânsito; a Hotel and Gaming Trades Council; todos os principais sindicatos de trabalhadores culturais, sem dúvida decidindo (corretamente) que seus membros ficariam mais revigorados participando da marcha principal do que se isolando com seus irmãos sindicais. 

E os sindicatos que apareceram? Os trabalhadores do hospital da organização 1199 do SEIU, que na memória recente reuniu quarenta ou cinquenta mil trabalhadores para comícios, foram os que mais compareceram – talvez (generosamente) mil. Seu primo da SEIU, 32BJ, cujos funcionários do serviço imobiliário enfrentam ameaças da Imigração e Alfândega, trouxe uns poucos. Os Communications Workers of America (CWA), representando 70.000 trabalhadores dos setores público e privado, tinham um contingente de cinquenta cartazes ostentando “CWA forte”, em vez de qualquer mensagem política. O maior sindicato de trabalhadores municipais, o   Conselho Distrital 37 da American Federation of State, County and Municipal Employees (AFSCME) com cem mil membros, reuniu duzentos. 

Mas isso foi maior do que a participação da United Federation of Teachers (UFT)que possui 150.000 membros — apesar da alegação do Guardian de que sua controladora nacional, a American Federation of Teachers (AFT) estava (talvez fora da cidade de Nova York?) “patrocinando eventos”. Como membro da UFT, sei que não houve nem mesmo um e-mail para os membros pedindo que se mobilizassem. Pequenos e desorganizados demais para formar seu próprio contingente, a maioria dos membros da UFT parecia marchar com seus colegas da AFT, o Professional Staff Congress (representando professores e funcionários da Universidade de Nova Iorque), que foi, na contagem, o campeão do dia, mobilizando pouco mais de quinhentos de seus 20.000 membros. Seu presidente, James Davis, parecia ser o único grande líder sindical que se dava ao trabalho de marchar com seus membros. 

A fraca participação na marcha trabalhista nos diz que a maioria dos membros desses sindicatos que participaram do No Kings marcharam no protesto principal, ignorando os planos do sindicato ou totalmente inconscientes deles.  

Talvez mais significativo do que o tamanho minúsculo da marcha tenha sido sua óbvia desordem. Por que não havia sistema de som móvel em uma caminhonete que acompanhava os manifestantes? Por que houve uma aparente confusão sobre o ponto final da marcha e seu objetivo? Se, por algum motivo, foi considerado necessário começar separadamente, para diferenciar o trabalho da manifestação mais ampla, por que não houve nenhum esforço para se unir à marcha principal? (De acordo com um relatório de um líder trabalhista, esse era o plano inicial, mas a polícia de Nova York o proibiu.) 

A participação marginal do trabalho organizado no protesto No Kings em Nova York não foi necessariamente representativo de manifestações em outros lugares. Em Chicago, por exemplo, o Chicago Teachers Union (CTU) esteve fortemente envolvido na organização e teve uma presença proeminente na série de protestos contra os ataques autoritários de Trump à cidade, incluindo o protesto No Kings na semana passada. E a United Teachers Los Angeles (UTLA) tem sido uma importante força anti-Trump em LA.  

No entanto, a triste exibição dos sindicatos de Nova York no sábado é indicativa da abordagem anêmica do movimento sindical na luta contra Trump de forma mais geral. Apesar dos ataques violentos aos direitos de negociação coletiva e às liberdades civis, os sindicatos, em sua maioria, responderam (na melhor das hipóteses) emitindo declarações fortes ou buscando ações legais. 

Mas o envolvimento sério e militante do trabalho organizado no movimento anti-Trump é provavelmente crucial para resistir efetivamente ao autoritarismo e aos ataques do presidente aos trabalhadores. As marchas do No Kings, que demonstraram a oposição popular a Trump em uma nova escala, são necessárias. Mas, como podemos ver nas políticas que estão sendo implementadas em Washington, DC, e nos destacamentos militares e paramilitares do ICE nas ruas de lá — e em Chicago, Portland, Los Angeles e Memphis — elas estão longe de ser suficientes. Esperando por alívio nas eleições para o Congresso ainda distantes é uma tarefa idiota. Ainda nesta semana, a Suprema Corte indicou que efetivamente derrubará a Lei de Direitos de Voto, permitindo o desmantelamento de praticamente todos os poucos distritos de tendência democrata restantes no sul. A empresa de equipamentos de votação Dominion Voting Systems acaba de ser comprada por um apoiador da MAGA. Portanto, podemos prever razoavelmente uma fraude genuína nas urnas eleitorais em 2026 — apenas alguns pequenos ajustes aqui e ali necessários para mudar os distritos. 

Em breve, precisamos ir além de meras marchas, para a disrupção — da economia e das ruas. Durante décadas, fiquei frustrado com o canto exagerado: “If we don’t get it, shut it down!  Nós realmente precisamos da capacidade de fazer isso acontecer — mas essa capacidade não surge espontaneamente, mesmo que algum evento em particular crie a base para uma revolta em massa. As redes que convocaram os protestos No Kings e May Day Strong precisam ser complementadas por redes que possam realmente fechar pelo menos segmentos significativos de sistemas de transporte aéreo, ferroviário e de caminhões, além da manufatura e produção de energia em larga escala, e as vastas indústrias culturais e de saúde. 

O trabalho organizado, fraco, ambivalente e desorganizado como muitas vezes parece, é a única rede existente de trabalhadores enquanto trabalhadores, capaz de ação coletiva no local de produção. É difícil imaginar uma capacidade disruptiva séria sem sua participação ativa — o tipo de capacidade disruptiva que a oposição anti-Trump precisa para vencer. 

Nota: as diversas referencias no texto deverão ser procuradas no texto original. 

A ciência da guerra e a soberania em risco: lições de Bousquet para o Brasil e a América Latina

Em The Scientific Way of Warfare, Antoine Bousquet mostra como cada regime científico moldou a guerra moderna — da mecânica ao caos das redes — e revela chaves para compreender os ataques dos EUA à soberania latino-americana

Mais do que um estudo sobre história militar, o livro de Bousquet é um guia estratégico para entender o presente. Da pressão econômica às sanções seletivas, dos navios de guerra no Caribe às operações digitais contra o Brasil, o “regime chaoplexic” da guerra em rede evidencia que a América Latina continua sendo um laboratório de intervenções e disputas pela ordem global.

Preambulo

Há livros que atravessam a nossa trajetória de forma silenciosa, e há outros que, ao serem encontrados, transformam radicalmente a maneira como enxergamos o mundo. The Scientific Way of Warfare, de Antoine Bousquet, pertence a essa segunda categoria. Conheci a obra por indicação de um amigo querido, Eden Cardim, que, em meio a uma conversa sobre política, tecnologia e poder, me disse que esse livro poderia ser um divisor de águas nas minhas pesquisas. Ele estava certo.

A cada página, compreendi melhor não apenas o passado das guerras, mas sobretudo o presente — esse presente convulsionado, marcado por guerras híbridas, redes digitais e operações de desinformação. Bousquet me ofereceu uma chave que faltava: entender que a guerra sempre se reinventa a partir dos paradigmas científicos e tecnológicos dominantes, e que hoje, na era do caos e da complexidade, estamos vivendo uma forma de conflito que atravessa nossas democracias, nossas economias e até nossas subjetividades.

Resolvi escrever este texto não como uma resenha acadêmica, mas como um artigo estratégico, pensado para jornalistas, pesquisadores, militantes, lideranças políticas e qualquer cidadão que queira compreender a engrenagem invisível que move os ataques contra as soberanias nacionais. Mais do que comentar o livro, quero compartilhar a urgência de sua leitura: porque sem compreender os regimes científicos da guerra descritos por Bousquet, corremos o risco de não reconhecer os sinais do presente — e, consequentemente, de não ter ferramentas para enfrentá-los.

Introdução — O Livro como Chave de Leitura do Presente

Quando Antoine Bousquet publicou The Scientific Way of Warfare: Order and Chaos on the Battlefields of Modernity, em 2009, poucos poderiam prever que, mais de uma década depois, o livro seria não apenas uma referência acadêmica, mas uma ferramenta indispensável para entender o presente. A obra, parte da coleção Critical War Studies, rompe com o formalismo das análises militares tradicionais e mergulha naquilo que realmente define a guerra contemporânea: a íntima relação entre ciência, tecnologia e poder. Para Bousquet, cada paradigma científico que emergiu na modernidade deu origem a um novo regime de guerra — do mecanicismo newtoniano ao caos das redes — e é essa chave que permite compreender os conflitos atuais, em especial os ataques híbridos que hoje atingem a América Latina e o Brasil.

Ao mostrar como o “modo científico de fazer a guerra” sempre esteve associado às metáforas tecnológicas dominantes, Bousquet nos oferece um mapa para decifrar a crise global. Se no século XVIII os exércitos funcionavam como relógios disciplinados, e no século XX a destruição termodinâmica das guerras industriais deu lugar à obsessão cibernética da Guerra Fria, hoje vivemos sob o regime chaoplexic, marcado por redes, complexidade e caos. Essa é a gramática invisível que rege não apenas os drones e os algoritmos militares, mas também as sanções econômicas, o lawfare, as campanhas de desinformação e as pressões diplomáticas que se abatem sobre o Brasil e seus vizinhos.

No mundo atual, em que navios de guerra norte-americanos patrulham o Caribe enquanto ministros brasileiros sofrem sanções pessoais, a leitura de Bousquet ganha contornos quase proféticos. Ele mostra que a guerra não é apenas um fenômeno bélico restrito aos campos de batalha, mas um processo difuso que atravessa sociedades, economias e consciências. Essa perspectiva é fundamental para entender por que a América Latina permanece como um laboratório de intervenções: a lógica não é mais apenas ocupar territórios com tanques, mas sim manipular fluxos de informação, sufocar economias e corroer instituições por dentro. O livro de Bousquet nos alerta: a guerra hoje se manifesta na fronteira difusa entre ordem e caos, e é nessa fronteira que o destino das soberanias nacionais está sendo decidido.

Os Quatro Regimes Científicos da Guerra

A originalidade de Antoine Bousquet está em mostrar que a guerra nunca foi apenas técnica ou tática, mas sempre esteve moldada pelas metáforas científicas dominantes de cada época. Ele identifica quatro regimes fundamentais que não apenas explicam o passado, mas também ajudam a decifrar o presente.

O regime mecanicista, nascido com o Iluminismo e a física newtoniana, via os exércitos como relógios de engrenagens. Soldados eram peças de uma máquina que se movia de acordo com a disciplina rígida e a ordem centralizada dos monarcas ilustrados. Esse modelo foi encarnado pelos exércitos de Frederico, o Grande, e deixou marcas profundas na ideia de que a guerra podia ser organizada como um sistema previsível.

Com a Revolução Industrial, surgiu o regime termodinâmico: a guerra como motor a vapor, como liberação de energia em escala destrutiva. As batalhas da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, com artilharia pesada, tanques, bombardeios aéreos e, no limite, a bomba atômica, expressam essa lógica. Aqui, a vitória não dependia apenas de disciplina, mas da capacidade de mobilizar recursos, indústria e energia em proporções colossais.

O regime cibernético, típico da Guerra Fria, introduziu a lógica do controle e da retroalimentação. Inspirada nos computadores e nos sistemas de comunicação, a guerra passou a ser pensada em termos de informação, comando e monitoramento. O Vietnã mostrou os limites desse paradigma, mas também consolidou a visão de que exércitos modernos precisavam ser geridos como sistemas complexos de dados, sensores e decisões centralizadas.

Por fim, chegamos ao regime chaoplexic, marcado pela teoria do caos e das redes. Aqui a guerra é descentralizada, organizada em enxames, dinâmica, fluida. Guerrilhas, terrorismo em rede, operações digitais e manipulação informacional encarnam esse novo modelo. O poder não está mais apenas em tanques ou mísseis, mas na capacidade de gerar instabilidade, manipular narrativas, controlar fluxos de informação e explorar vulnerabilidades sociais. É nesse regime que se encaixam os ataques híbridos contemporâneos contra o Brasil e a América Latina.

Do Caos à Rede: A Guerra Chaoplexic

Se os regimes mecanicista, termodinâmico e cibernético ajudaram a estruturar a guerra entre os séculos XVII e XX, é no chaoplexic warfare que encontramos a chave para compreender os conflitos atuais. Inspirado pelas ciências do caos e da complexidade, esse paradigma rompe com a ideia de hierarquia rígida e aposta na descentralização, na auto-organização e na fluidez. O campo de batalha deixa de ser um espaço delimitado por fronteiras e trincheiras para se transformar em rede: múltiplos atores, conectados de maneira horizontal, disputam narrativas, dados e percepções tanto quanto territórios físicos.

Bousquet mostra que conceitos como “enxame” e “auto-sincronização” são centrais nesse novo regime. Exércitos já não dependem apenas de comando centralizado: insurgências, milícias digitais e até campanhas de desinformação operam em lógica distribuída, adaptando-se rapidamente ao ambiente. O exemplo mais citado é o do ciclo OODA, de John Boyd, no qual a velocidade de observar, orientar-se, decidir e agir se torna decisiva. No século XXI, essa aceleração se traduz em drones autônomos, ataques cibernéticos coordenados e enxames de perfis falsos nas redes sociais, todos capazes de saturar o inimigo antes que ele consiga responder.

O mais relevante, porém, é perceber como a guerra chaoplexic transcende o campo militar. O que antes se limitava ao fronte físico hoje invade a política, a economia e a cultura. Uma sanção econômica pode paralisar um setor produtivo inteiro tão eficazmente quanto uma bomba; um processo judicial midiático pode derrubar um governo com mais impacto do que um golpe militar; uma campanha massiva de desinformação pode destruir reputações, dividir sociedades e corroer democracias. Esse é o terreno em que o Brasil e a América Latina se encontram: laboratórios onde a guerra híbrida se manifesta em sua forma mais pura, transformando a disputa geopolítica em disputa cognitiva.

América Latina: Laboratório da Guerra Híbrida

Poucas regiões do mundo ilustram tão bem a aplicação prática das teorias de Antoine Bousquet quanto a América Latina. Desde o século XIX, quando a Doutrina Monroe proclamou que o continente era “esfera de influência natural” dos Estados Unidos, nossos países foram submetidos a sucessivos experimentos de guerra — ora convencionais, ora híbridos. O que Bousquet chama de regimes científicos da guerra aqui se traduziu em golpes, invasões, sanções e operações clandestinas, cada qual adequado ao paradigma dominante da época.

No regime mecanicista, vimos os EUA moldarem exércitos latino-americanos como engrenagens dóceis, treinados em academias militares subordinadas à lógica da disciplina centralizada. No regime termodinâmico, a industrialização da violência se fez sentir em intervenções como a invasão de Granada (1983) ou do Panamá (1989), quando a mobilização de poder de fogo avassalador garantiu vitórias rápidas, mas deixou cicatrizes profundas. O regime cibernético encontrou seu auge na Guerra Fria, quando a lógica de comando e controle se traduziu na Operação Condor: redes de inteligência interligadas, bancos de dados de opositores, tortura sistemática e assassinatos coordenados em escala continental — uma espécie de “network-centric warfare” antes mesmo do termo.

Hoje, no regime chaoplexic, a América Latina volta a ser laboratório. As guerras não se dão mais apenas em selvas ou cidades, mas em redes digitais, tribunais e fluxos econômicos. A Venezuela sofre bloqueios e sanções que corroem sua economia e geram caos social. Cuba permanece sob cerco econômico enquanto é alvo de campanhas de desinformação. A Nicarágua é bombardeada por operações psicológicas e diplomáticas. E o Brasil, maior país da região, tornou-se epicentro desse novo regime: da Lava Jato, que funcionou como uma operação de lawfare transnacional, às atuais sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal e tarifas comerciais impostas em meio a disputas diplomáticas, o país é alvo direto da guerra híbrida estadunidense.

Essas estratégias, longe de incidentes isolados, expressam exatamente o que Bousquet descreve: a guerra como um processo difuso, caótico, descentralizado, onde redes substituem quartéis e algoritmos valem mais do que divisões blindadas. A América Latina, mais uma vez, não é apenas palco — é campo de teste, onde Washington experimenta as técnicas que depois exporta para o resto do mundo.

O Brasil na Linha de Fogo

Se a América Latina como um todo é um laboratório de guerra híbrida, o Brasil ocupa o centro desse experimento. Nenhum outro país da região reúne, ao mesmo tempo, dimensão continental, população massiva, peso econômico, biodiversidade estratégica e protagonismo geopolítico. Justamente por isso, tornou-se alvo privilegiado das pressões estadunidenses, que operam de maneira exemplar sob o regime chaoplexic descrito por Bousquet: uma guerra difusa, travada em múltiplas frentes, combinando sanções, tarifas, lawfare, desinformação e operações psicológicas.

Os exemplos recentes são eloquentes. O governo Trump retomou a escalada de medidas contra Brasília: sanções direcionadas à esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal, restrições de visto a autoridades e ameaças veladas no campo diplomático. Em paralelo, tarifas comerciais sobre produtos brasileiros reaparecem como instrumento de pressão, reeditando a lógica do “porrete econômico” que historicamente moldou a relação entre Washington e seus vizinhos. Ao mesmo tempo, navios de guerra dos EUA no Caribe são percebidos em Brasília como recados indiretos: gestos militares simbólicos que funcionam mais como demonstração de força e intimidação do que como preparação bélica direta.

Mas a dimensão mais sofisticada da guerra contra o Brasil se dá na esfera informacional e jurídica. A Operação Lava Jato, montada em articulação com o Departamento de Justiça dos EUA, funcionou como uma operação de lawfare exemplar: desestruturou setores estratégicos da economia, criminalizou a política desenvolvimentista e abriu espaço para interesses estrangeiros sobre o petróleo do pré-sal. Hoje, a mesma lógica ressurge em novas roupagens — processos seletivos, campanhas de difamação digital, uso de think tanks e fundações estrangeiras para pautar a opinião pública, e uma máquina de desinformação que opera de forma enxameada, saturando o ambiente cognitivo com narrativas corrosivas.

Nesse sentido, o Brasil é a expressão viva da guerra chaoplexic de Bousquet: o inimigo não está em trincheiras visíveis, mas disperso em fluxos de dados, em sanções financeiras, em algoritmos de redes sociais que privilegiam o discurso de ódio, em decisões judiciais que se transformam em armas políticas. O país enfrenta, simultaneamente, o peso de um intervencionismo externo e a corrosão interna promovida por elites locais alinhadas ao projeto hegemônico norte-americano. É um campo de batalha invisível, mas não menos devastador — e, ao mesmo tempo, um espelho do que pode se tornar o futuro da guerra em escala global.

A Ordem e o Caos nas Relações Globais

A chave de leitura de Bousquet — a tensão permanente entre ordem e caos — revela-se decisiva quando olhamos para o cenário internacional. Os Estados Unidos insistem em projetar-se como força ordenadora do sistema global, mas suas próprias estratégias geram instabilidade crônica. A tentativa de impor “ordem” por meio de sanções, tarifas, bloqueios diplomáticos e demonstrações militares tem o efeito paradoxal de alimentar o caos que pretendem controlar. É o dilema central do regime chaoplexic: quanto mais se busca centralizar e disciplinar, mais se abre espaço para resistências descentralizadas e para a emergência de novos polos de poder.

No caso brasileiro, isso se torna evidente. As tarifas de Trump, as sanções contra membros do Judiciário e a pressão sobre a economia nacional buscam enquadrar o país em uma lógica subordinada. Mas, em vez de isolamento, esses movimentos aceleram o realinhamento de Brasília com China, Rússia e os BRICS. Cada ataque norte-americano reforça a percepção de que o Brasil precisa ampliar suas parcerias estratégicas, consolidar a soberania informacional e fortalecer redes regionais de defesa. O que para Washington seria uma demonstração de ordem, acaba funcionando como catalisador de novas alianças e de maior autonomia.

Esse mesmo paradoxo se repete em escala global. As pressões contra a Venezuela alimentam a aproximação de Caracas com Moscou e Pequim. O bloqueio a Cuba só fortalece sua posição simbólica de resistência no Sul Global. E o uso cada vez mais frequente de instrumentos jurídicos, como designações de terrorismo ou programas de sanções extraterritoriais, mina a legitimidade dos EUA junto a organismos multilaterais. O resultado é uma erosão lenta, porém contínua, da hegemonia americana — enquanto cresce o espaço para alternativas multipolares.

Nesse jogo, a América Latina se encontra em um ponto crítico: pode ser apenas campo de manobra, reproduzindo ciclos de dependência e instabilidade, ou pode assumir um papel de protagonista na disputa global. Para isso, precisa reconhecer que o terreno em disputa não é apenas militar ou econômico, mas cognitivo e informacional. Como ensina Bousquet, a guerra chaoplexic se trava em redes, fluxos e percepções. Quem dominar essas camadas terá mais poder do que quem controlar apenas tanques ou bases militares.

Conclusão — Um Livro para o Nosso Tempo

The Scientific Way of Warfare não é apenas uma obra acadêmica sobre a história da guerra. É, antes de tudo, um guia intelectual para compreender o presente — e, em grande medida, antecipar o futuro. Ao mostrar que cada paradigma científico molda não apenas as batalhas, mas também as formas de organização política e social, Antoine Bousquet nos lembra que a guerra nunca está restrita aos quartéis: ela infiltra-se nas instituições, nos tribunais, nas economias e, hoje, sobretudo nas redes digitais.

Para o Brasil e a América Latina, a lição é incontornável. O continente, mais uma vez, se encontra no olho do furacão de um regime bélico global, agora marcado pela lógica chaoplexic. Os EUA aplicam sanções seletivas, tarifas comerciais, campanhas de desinformação e operações psicológicas não para conquistar territórios, mas para moldar subjetividades, corroer instituições e manter a região em posição subordinada. Ao mesmo tempo, novos polos de poder exploram as fissuras criadas por esse intervencionismo, oferecendo alternativas e abrindo espaço para uma multipolaridade em gestação.

Exaltar o livro de Bousquet, neste contexto, é exaltar um instrumento de lucidez. Ele nos ajuda a ver que o caos não é acidente, mas método; que as redes não são apenas canais de comunicação, mas armas de guerra; que a soberania não pode mais ser pensada apenas em termos militares, mas sobretudo informacionais e cognitivos. É nessa arena invisível que o Brasil joga seu destino — e é nela que precisa construir defesas e estratégias próprias.

Em última instância, a leitura de Bousquet é um chamado à vigilância. Um alerta de que a guerra mudou de forma, mas não de objetivo: continua sendo a luta pelo poder e pela hegemonia. Se a América Latina quiser deixar de ser laboratório e se afirmar como protagonista, terá de compreender que a batalha decisiva não se trava apenas nos mares ou nas fronteiras, mas no campo fluido e incerto das redes, onde ordem e caos disputam cada segundo.

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