Fim da escala 6×1 pode aumentar produtividade e diminuir desigualdade, apontam especialistas

O Projeto Brasil apresentou um debate sobre o fim da escala 6×1 e os impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil. Os especialistas convidados refutaram argumentos empresariais alarmistas, demonstrando que a diminuição das horas trabalhadas pode reduzir desigualdades e aumentar a produtividade sem necessariamente prejudicar o PIB, ao contrário, melhorar a economia do país.

No programa da última semana, os jornalistas Luis Nassif e Sergio Leo e a economista Carla Beni receberam o técnico do IPEA Felipe Pateo e a socióloga Ana Claudia Cardoso.

A discussão enfatizou que a resistência do setor patronal baseia-se em uma lógica histórica de preservação de lucros e na subvalorização do tempo de lazer do trabalhador. O técnico do IPEA destacou que a redução da jornada é uma ferramenta para reduzir a desigualdade, já que os trabalhadores de 44 horas semanais recebem, em média, apenas 40% do salário daqueles que cumprem 40 horas. 

“Todos os indícios levam a crer que há capacidade de absorção desse aumento decorrente da redução da jornada de trabalho”, afirmou Felipe Pateu. Ele rebateu o “alarmismo” sobre os custos, estimando que o aumento no custo da hora de trabalho seria em torno de 7,8% a 8%, algo que a economia brasileira já absorveu em aumentos reais do salário mínimo sem crises.

A socióloga observou que os argumentos contra a redução da jornada são os mesmos desde 1910. Ela criticou como o capital cria estratégias para “engolir” o tempo livre, como a hora extra e o banco de horas, que muitas vezes só interessam às empresas: “Por que essa conta sempre é feita como se o lucro fosse intocável?”, questinou Ana Claudia Cardoso.

Membro da bancada do Projeto Brasil, a economista e comentarista Carla Beni trouxe exemplos práticos de setores como hotelaria (Copacabana Palace) e farmácias (Pague Menos) que já estão ajustando suas escalas para 5×2 ou similares, muitas vezes por dificuldade em contratar mão de obra disposta a aceitar o regime 6×1. 

Na linha do que apontou Ana Claudia, ela discutiu a mudança geracional, onde os jovens buscam propósito e felicidade, não apenas resultados, e criticou práticas corporativas extremas que visam apenas o lucro, como empresas que oferecem congelamento de óvulos para postergar a maternidade em nome da produtividade.

Além disso, os participantes comparam o cenário brasileiro com modelos internacionais, evidenciando que a flexibilidade do trabalho no país costuma favorecer apenas o capital. Nassif e Sérgio Léo afirmaram que o Brasil possui menos proteção ao emprego do que quase todos os países da Europa, desmistificando a ideia de que o trabalhador brasileiro é excessivamente protegido.  

O debate concluiu que a melhoria das condições de emprego é essencial para a saúde mental e para a retenção de talentos em um mercado em transformação.

Assista à íntegra do episódio no YouTube da TVGGN: