Argentina protesta contra Reforma Trabalhista de Milei

Silvia Portela 

Diante da votação próxima no senado argentino da reforma trabalhista proposta pelo governo de Milei, a maior central argentina, a CGT, vai fazer um protesto na quarta-feira próxima em Buenos Aires. 

O governo argentino continua em sua senda de destruir os direitos sociais do povo argentino – depois da devastação da população aposentada ele agora quer destruir os direitos sociais dos trabalhadores argentinos aumentando o número de “serviços essenciais”, obrigando os trabalhadores desses setores a trabalharem nos feriados sem remuneração extra; substituindo as clausulas de ultratividade nos convênios coletivos por acordos por empresa; enfraquecendo a negociação coletiva: eliminando as quotas sindicais dos trabalhadores não associados, e muito mais. Em breve, certamente veremos uma greve geral dos argentinos. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto do jornal Pagina 12, o combativo jornal argentino.

CGT pressiona para travar artigos-chave da reforma laboral 

Depois de anunciar uma concentração para a próxima quarta-feira nos arredores do Congresso argentino, quando o Senado tratará do projeto de reforma trabalhista impulsionado pelo governo, a CGT centra a sua atenção na estratégia para frear a iniciativa, assegurando que o governo não tem os votos necessários para aprová-lo. A idéia da central operária é reunir os votos suficientes para inverter os pontos “críticos”, avaliando a judicialização como uma das vias possíveis, tal como aconteceu com o Mega DNU* de dezembro de 2023. 

O triunvirato** formado por Jorge Sola, Cristian Jerónimo e Octavio Argüello vê a reforma laboral como “uma longa guerra de várias batalhas”, em que a greve geral é uma carta valiosa, mas que deve ser jogada no momento certo. O triunvirato confia em que vários legisladores que dialogam com o Presidente aprovaram o projeto em geral mas, no momento de discutir cada artigo em particular, não acompanharão a iniciativa libertária. 

 Os principais artigos que os sindicalistas se propõem a combater prevêem a ampliação das atividades que são consideradas “essenciais”, que garante serviços mínimos determinados ramos em feriados; a eliminação da ultratividade dos convênios coletivos, priorizando os acordos particulares por empresa, anulando a capacidade de negociação dos sindicatos; as alterações nas quotas solidárias que trazem os trabalhadores não filiados ao grêmio e a criação de um Fondo de Asignación Laboral (FAL), em substituição do atual sistema de indenizações. 

O ás na manga que guarda a central operária é a judicialização daqueles pontos que fugirem ao filtro legislativo e que a central considera que dificilmente sejam considerados constitucionais em qualquer vara do trabalho. No entanto, a partir da condução advertem que a anulação na justiça “não será tão fácil” como com o Mega DNU. 

Notas do Observatório 

*O chamado Mega DNU  é o Decreto de Necesidad y Urgencia (DNU) 70/2023 “Bases para la reconstrucción de la Economía argentina” que pretendia destruir diversas leis e direitos dos argentinos e que teve muitas das suas clausulas denegadas pelo Justiça argentina. 

**O chamado triunvirato refere-se à grupo dirigente da CGU, composto hoje por Jorge Sola (Seguros), Cristian Jerónimo (Vidreiros) y Octavio Arguello (Caminhoneiros). 

Este texto foi traduzido do espanhol com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações, e portanto sem a revisão do autor. As referencias são encontradas no original. . As opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as visões do ODTI. 

Terras raras colocam o Brasil no centro da reindustrialização verde mundial

O Brasil tem a oportunidade de se tornar protagonista na reindustrialização verde, com capacidade de atingir a total produção de terras raras com a mínima emissão de gás carbônico do mundo. É o chamado “refino verde”, explicou a diretora executiva do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos, no especial Terras Raras do Projeto Brasil.

Rosana trouxe a interface entre mineração e desenvolvimento econômico sustentável no debate com a geóloga, pesquisador e ex-reitora da UnB, Márcia Abrahão. A especialista confirmou que não haverá transição energética ou avanços em tecnologias como a Inteligência Artificial sem minerais críticos e terras raras.

Desmistificando que a extração de terras raras seja amigável ao meio ambiente, Rosana foi além e argumentou que, uma vez inevitável o uso destes minérios na atualizada, o Brasil deve então utilizar sua matriz energética limpa para realizar o “refino verde”.

Ela propôs o uso de biogás e biometano para atingir as altas temperaturas necessárias no processamento dos minerais críticos, o que daria ao produto brasileiro uma vantagem competitiva internacional por ter baixas emissões de carbono, tornando o Brasil o país com a menor emissão possível destes minérios.

Refino verde: como é feito

A representante explicou que processos industriais como o refino de terras raras e outros minerais críticos são “extremamente energointensivos” e exigem altíssimas temperaturas. Enquanto outros países utilizam combustíveis fósseis (carvão ou gás natural) para esse fim, emitindo grandes volumes de gases de efeito estufa, o Brasil pode realizar o chamado “refino verde” utilizando sua matriz elétrica (que é 90% limpa) e complementando com biogás ou biometano para atingir altas temperaturas.

Isso resultaria em minerais refinados com emissões que poderiam chegar a apenas 1/3 das emissões de qualquer outro lugar do mundo.

Para a pesquisadora, a medida seria benéfica ao Brasil não somente em termos ambientais, propriamente. Há uma tendência global onde, em igualdade de preços, o comprador opta pelo produto que emite menos carbono. Mecanismos regulatórios internacionais, como o CBAM europeu (mecanismo de ajuste de fronteira de carbono), começam a considerar o conteúdo de emissões como critério de compra e tributação, o que favorece países com matrizes limpas.

A disponibilidade de energia verde abundante e barata funciona como um imã para indústrias globais, um conceito definido nas fontes como “power shoring”, afirmou Santos. Em vez de apenas exportar a matéria-prima bruta, o Brasil pode atrair empresas para produzirem em território nacional, agregando valor e gerando empregos de qualidade motivados pela pegada de carbono reduzida da produção local, expôs.

Desafios jurídicos

Advogada e pesquisadora, Ana Paula Lemes de Souza abordou junto à Márcia Abrahão os desafios jurídicos, regulatórios e socioambientais. Ela alertou para o perigo de um “atropelamento” dos processos de licenciamento ambiental devido à pressão geopolítica.

Souza destacou os interesses internacionais e os riscos do uso do “mito da sustentabilidade”, onde o discurso da emergência climática poderia ser usado para favorecer interesses bélicos e comerciais em detrimento da soberania territorial e dos povos tradicionais.

Nessa linha, a advogada expôs a importância de regulamentações como os projetos de lei em tramitação – como o PL 2780/2024 e o PL 4443 -, destacando a “regra dos 80%”, que visa exigir que a maior parte das terras raras extraídas seja processada no país para evitar o “neocolonialismo verde”.

Ambas as especialistas destacaram que o Brasil vive um momento estratégico e que a soberania nacional deve ser protegida. Segundo elas, o país deve aproveitar suas riquezas minerais para se tornar um protagonista tecnológico, garantindo que o bônus econômico não resulte em um passivo ambiental e social insustentável para os territórios explorados.

Assista à íntegra dos episódios das especialistas que abordaram os desafios ambientais das Terras Raras no Brasil: