Silvia Portela
O governo e a classe dominante grega querem, mais uma vez, empurrar para a classe trabalhadora a solução dos problemas econômicos do pais. A duração do trabalho aprece desta vez como o remédio para a crise social.
O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais, vinculado ao Instituto Lavoro traduziu este texto da agência de noticias Reuters.
Grécia adota lei que estende o horário de trabalho apesar dos protestos
Por Angeliki Koutantou e Renee Maltezou, publicado em 16 de outubro de 2025
Sindicatos gregos realizam greve de um dia para protestar contra o horário de trabalho estendido.
Projeto de lei permite jornadas de trabalho de 13 horas e visa mercado de trabalho flexível
Trabalhadores protestam, temem o enfraquecimento de direitos em meio à crise do custo de vida
A recuperação econômica da Grécia não melhora os salários, o poder de compra permanece baixo
O parlamento da Grécia aprovou um projeto de lei na quinta-feira apesar dos protestos de trabalhadores que já enfrentam uma crise de custo de vida. A lei aprovada permite que empregadores do setor privado estendam o horário de trabalho.
O projeto de lei, que permite que os empregadores apliquem dias de trabalho de 13 horas, acima das oito horas atuais, visa tornar o mercado de trabalho mais flexível e eficaz, diz o governo conservador.
Mas a proposta desencadeou duas greves gerais neste mês de trabalhadores que a veem como uma medida para minar seus direitos, no momento em que enfrentam a estagnação dos salários e o aumento dos custos de alimentação e aluguel.
“Quando o resto da Europa está discutindo a redução do horário de trabalho, na Grécia nós o aumentamos”, disse o barman Themis Lytras, de 41 anos, que disse que seu aluguel dobrou nos últimos dois anos.
A Grécia já tem uma das semanas de trabalho mais longas da Europa, com cerca de 40 horas, mostram dados da UE, contra uma média de 34 horas trabalhadas na Alemanha e 32 na Holanda.
Grécia está se recuperando de uma crise debilitante da dívida de 2009-2018, marcada por anos de aperto de cinto, que destruiu um quarto da produção nacional. O forte crescimento econômico nos últimos anos abriu espaço para cortes de impostos e aumentos salariais. Mas os salários permanecem abaixo dos níveis anteriores à crise e o poder de compra dos gregos está entre os mais baixos da União Europeia, mostram dados do Eurostat.
O governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis viu sua popularidade diminuir nas pesquisas de opinião, em parte devido à decepção com o fracasso da recuperação econômica em gerar padrões de vida mais elevados. “Depois da crise, esperávamos um retorno à normalidade”, disse George Koutroumanis, ex-ministro do Trabalho que chamou a nova lei de “absurda”.
O turno de trabalho estendido só pode ser aplicado três dias por mês e até 37 dias por ano. O projeto protege as pessoas de serem demitidas se elas se recusarem a trabalhar horas extras, mas os sindicatos dizem que isso priva os trabalhadores do poder de negociação em um país onde há trabalho não declarado e onde os salários médios permanecem relativamente baixos.
O projeto de lei, que também dá aos empregadores mais flexibilidade em contratações de curto prazo e permite que os funcionários trabalhem quatro dias por semana durante todo o ano, mediante acordo prévio, foi aprovado pela maioria dos legisladores no parlamento de 300 assentos.
Reportagem adicional de Mark John e Lefteris Papadimas Edição de Ed Osmond, Edward McAllister e Gareth Jones