Da Embraer à “Embramar”: especialistas propõem novo projeto nacional de Defesa

A indústria de Defesa brasileira, sob a ótica da soberania nacional e das novas tensões geopolíticas, deve ser reformulada, diante da falta de governança integrada entre as Forças Armadas e a ausência de uma elite política que compreenda a Defesa como pilar do desenvolvimento. 

Essa foi a conclusão do grupo de pesquisadores reunidos no programa “Indústria de Defesa: da soberania nacional às tecnologias do futuro”, do Plano de Metas do Projeto Brasil

Com sólida experiência em Segurança Internacional e Defesa Nacional, o professor de Relações Internacionais da UnB, Antônio Ramalho, defendeu uma mudança profunda na doutrina militar brasileira, argumentando que o país deve parar de focar exclusivamente no “inimigo interno” e começar a se preocupar com ameaças externas reais.

“É preciso mudar a doutrina; é preciso que os militares brasileiros comecem a entender que aquele Estado antes percebido como o principal e primeiro aliado pode vir a ser a ameaça“, apontou.

Ele enfatizou que a Governança de Defesa precisa ser restabelecida com uma visão estratégica de longo prazo, que inclua a integração das burocracias do Estado e que uma das nossas maiores vulnerabilidades é “o estabelecimento de projetos estratégicos” nacionais.

Nesse sentido, Marcos Barbieri, professor da Unicamp e um dos principais especialistas do país em Indústria Aeroespacial e de Defesa também focou na importância do desenvolvimento tecnológico nacional com a integração entre as Forças Armadas, Universidades e o setor privado.

Ele apresentou como a transferência de tecnologia no projeto dos caças Gripen fortaleceu a engenharia local. O DNA do Gripen é também um pouco verde e amarelo; houve um ganho que nós não teríamos em hipótese alguma com o caça francês e com o caça americano”, afirmou. 

Barbieri também enfatizou a importância de modelos como o da Embraer para criar empresas de capital nacional que desenvolvam propriedade intelectual e garantam autonomia estratégica ao país. Nessa linha, criticou a política macroeconômica brasileira, que, segundo ele, sabota a indústria e os “players” nacionais, “tanto do ponto de vista da Defesa quanto do ponto de vista da oferta”.

O exemplo da Embraer e do Gripen contrastam com a crise de obsolescência enfrentada pela Marinha na proteção da Amazônia Azul. A análise foi do mestre em Estudos Marítimos pela Escola de Guerra Naval (EGN), Felipe Sales.

Ele propôs a criação de uma “Embramar”, uma empresa naval de capital nacional inspirada no modelo da Embraer, para desenvolver projetos de propriedade intelectual brasileira e competir no mercado global. “O modelo Embraer precisa ser expandido… tem que ser uma empresa brasileira que desenvolva tecnologia própria, projetos próprios e crie produtos de propriedade intelectual brasileira”, defendeu.

Sales também alertou para os riscos da dependência tecnológica em setores críticos como inteligência artificial e comunicações, fundamentais para a segurança do Estado no século XXI.

O tema integra o Plano de Metas 4 do Projeto Brasil, leia a íntegra aqui: Transformando a Indústria da Defesa.

Assista à íntegra do espisódio no programa do Projeto Brasil no YouTube da TVGGN:

Economia de Bem-Estar e soberania: seminário reúne grandes especialistas para discutir o futuro do Brasil

O Bem-estar para além de “caber no PIB”. Um time de especialistas de alto nível estará reunido no próximo dia 23 para discutir um dos maiores desafios do Brasil: como transformar a Saúde, a Educação e a Cultura em motores da economia e da soberania nacional. O seminário “Economia de Bem-estar e Soberania: desafios estruturantes”, promovido pelo Projeto Brasil do Jornal GGN, em parceria com o Grupo de Pesquisa “Desenvolvimento Sustentável, CT&I e Complexo Econômico-Industrial da Saúde” (GPCEIS) da Fiocruz, e com o apoio da Emgea – Empresa Gestora de Ativos, propõe um debate sobre um novo modelo de desenvolvimento capaz de combinar crescimento econômico, inclusão social e sustentabilidade. O evento é gratuito e será transmitido na TV GGN no YouTube.

O seminário tem por objetivo discutir a economia do bem-estar como eixo estruturante de uma estratégia de reconstrução nacional e de desenvolvimento soberano para o Brasil, explorando o potencial da saúde, educação e cultura como vetores de transformação produtiva, tecnológica e institucional.

Para este importante encontro, convidamos Fernando de Souza Coelho, pesquisador da EACH/USP e escritor, que abordará Compras públicas e inovação; Márcio Pochmann, presidente do IBGE, para tratar de Emprego e desigualdade; José Eduardo Cassiolato, ex-Secretário de Planejamento, coordenador RedeSist da UFRJ, focada em Arranjos Produtivos Locais; Deryk Vieira Santana, Diretor de Políticas para Trabalhadores da Cultura e Economia Criativa do Ministério da Cultura; Luiz Roberto Liza Curi, Reitor do UniSenai Inovação SP, ex-presidente do CNE – Conselho Nacional da Educação; e Carlos Gadelha, Coordenador da Rede CEIS – Complexo Econômico-Industrial da Saúde da Fiocruz. A mediação será realizada pelo jornalista Luís Nassif.

É uma mudança de paradigma: compreender que os grandes desafios nacionais só serão enfrentados no país quando alcançada a efetivação de direitos sociais básicos, especialmente o acesso universal, equitativo e de qualidade à saúde, à educação e à cultura. 

O bem-estar não apenas cabe no PIB, mas representa uma alavanca para um novo padrão de desenvolvimento comprometido com a sociedade e os desafios nacionais. É ele que deve orientar a política industrial e os investimentos estratégicos do país, tendo como metas fundamentais a melhoria das condições de vida da população, a sustentabilidade e a construção de um projeto nacional de longo prazo”, afirma Carlos Gadelha, coordenador da Rede CEIS e um dos organizadores do evento. 

O encontro integra a construção de um Plano de Metas para o desenvolvimento nacional, iniciativa do Projeto Brasil/GGN que reúne pesquisadores, gestores públicos e especialistas para discutir estratégias capazes de combinar crescimento econômico, inovação, inclusão social e soberania. 

O debate buscará explorar como uma política orientada por missões e desafios estruturantes pode integrar desenvolvimento econômico, social e ambiental, promovendo uma economia voltada ao bem-estar da população, à sustentabilidade e à construção de um projeto nacional de longo prazo. 

Serviço

Seminário Economia do Bem-Estar: desafios estruturantes
Data: 23 de julho de 2026, às 18h30
Transmissão: Online – https://www.youtube.com/watch?v=f0J5Y9LDMeE