Soberania do Brasil na nova geopolítica das Terras Raras , por Marco Antônio S. C. Branco

Hub TR: Soberania do Brasil com Integração Global na Nova Geopolítica das Terras Raras 

Marco Antônio S. C. Castello Branco¹

21 de abril de 2026

1. O Tabuleiro Global: A Corrida pela Transição e o “De-risking” Ocidental

1.1. Introdução Analítica: A Hegemonia em Xeque e a Nova Ordem Mineral

O século XXI assiste a uma transição tectônica no poder global, onde a supremacia militar e
econômica não é mais medida apenas por barris de petróleo, mas por miligramas de elementos
críticos. Atualmente, o mundo vive sob uma assimetria perigosa: a China controla
aproximadamente 90% da separação e refino de terras raras. Este monopólio não é um acidente
geológico, mas o resultado de quatro décadas de uma política industrial agressiva e deliberada.
Para o Ocidente, essa dependência transformou-se em uma vulnerabilidade existencial.

A urgência do “de-risking” — termo cunhado pela diplomacia europeia e rapidamente adotado
por Washington — não trata apenas de diversificar fornecedores; trata-se de segurança
nacional. No contexto do Inflation Reduction Act (IRA) nos Estados Unidos e do Critical Raw
Materials Act na União Europeia, a busca por fontes seguras (friendly-shoring) tornou-se o novo
imperativo. O acesso a estes minerais é o alicerce para as metas de descarbonização e para a
viabilidade da indústria de defesa. Neste tabuleiro, o Brasil emerge não apenas como um
reservatório mineral, mas como a peça fundamental para o realinhamento estratégico das
democracias liberais.

1.2. Análise de Déficit e Demanda: O Motor da Economia de Baixo Carbono

A transição energética é, em sua essência, uma transição para uma economia intensiva em
metais. O coração desta mudança reside nos ímãs permanentes de alta performance, que
utilizam Neodímio (Nd) e Praseodímio (Pr). Sem esses imãs, a eficiência de motores elétricos e
aerogeradores cai drasticamente. Projeções de mercado indicam um déficit estrutural
iminente: a demanda por NdPr deve triplicar até 2035, enquanto a oferta de terras raras
separadas fora da China caminha a passos lentos.

Estamos diante de um paradoxo da física e da economia: a matriz de baixo carbono, para ser
eficaz, depende de motores de alta densidade energética que só os ímãs de terras raras podem
proporcionar. O déficit de oferta não é uma possibilidade, mas uma certeza matemática se
novos hubs de processamento não forem erguidos com urgência.

1.3. O Paradoxo Brasileiro: O Gigante Refém do Extrativismo

O Brasil detém a terceira maior reserva mundial de terras raras, com 21 milhões de toneladas.
Em termos de volume, nossas jazidas são equivalentes às da Rússia e do Vietnã. No entanto,
nossa relevância industrial é próxima de zero. Este é o “Paradoxo Brasileiro”: possuímos a
geologia, mas somos tecnologicamente irrelevantes na cadeia de valor.

Enquanto países como a Austrália avançam agressivamente para o refino, o Brasil continua
preso à “armadilha da commodity”. Exportamos minério e importamos tecnologia. Se não
alterarmos essa dinâmica, as 21 milhões de toneladas no nosso subsolo (majoritariamente
monazita) servirão apenas para subsidiar a liderança industrial de outras nações, mantendo o
país na periferia da nova economia verde.

1.4. Transição: O Momento do Pivot Estratégico

A convergência entre a fome global por fontes alternativas e a dotação mineral brasileira cria
uma janela de oportunidade histórica que se fechará em breve. O realinhamento estratégico
exige que o Brasil deixe de ser um mero “buraco na terra” para se tornar um elo industrial. O
caminho para isso não passa apenas pela mineração, mas pelo enfrentamento direto do maior
gargalo do setor: a etapa de separação química.

2. O “Gap” da Separação: Onde a Soberania Brasileira se Rompe

2.1. Introdução Analítica: O Choke Point Tecnológico

A mineração de terras raras é, comparativamente, simples. O verdadeiro desafio — e onde
reside o segredo da soberania chinesa — é a separação química individual de cada um dos 17
elementos. É neste estágio que a cadeia brasileira se rompe. Sem infraestrutura de refino, o
Brasil sofre um “enfarte industrial” logo após a extração. A separação é o choke point (ponto
de estrangulamento) que define quem captura o valor e quem apenas arca com o impacto
ambiental da extração.

2.2. O Dilema das Junior Miners: O Sequestro do Valor Agregado

O cenário mineral brasileiro é hoje povoado por junior miners vibrantes, como Serra Verde,
Meteoric, Aclara, Viridis e Brazil Rare Earths. Estas empresas possuem acesso a depósitos de
classe mundial e gestão ágil, mas enfrentam um dilema cruel. Listadas majoritariamente nas
bolsas do Canadá e Austrália, elas carecem de balanço para investir sozinhas nos bilhões de
dólares necessários para uma refinaria.

A consequência é um “Brain Drain” mineral: para viabilizar seus projetos perante investidores,
elas são forçadas a assinar contratos de offtake com a China ou se tornam alvo de aquisições
por tubarões mundiais apoiados pelo cofre de governos estrangeiros. Na prática, estas
empresas para não morrerem estão exportando concentrados brutos e fortalecendo o mesmo
monopólio que o mundo tenta combater. É uma exportação forçada de soberania por falta de
alternativa brasileira de processamento.

2.3. A Barreira de Entrada: Por que o Hub é Inevitável

A separação não é viável para mineradoras isoladas por razões estruturais:

• Intensidade de Capital (CAPEX): Uma planta de refino exige investimentos que
superam o valor de mercado de muitas junior miners.

• Complexidade Metalúrgica: Alcançar purezas de 99,99% exige centenas de estágios de
extração por solventes, um know-how que o Brasil ainda não detém em escala
comercial.

• Gestão de Rejeitos: O processamento lida com elementos radioativos de ocorrência
natural, exigindo uma infraestrutura de segurança que só um arranjo centralizado e
apoiado pelo Estado pode garantir com eficiência.

2.4. Transição: A Solução Colaborativa

A fragmentação é o caminho para a irrelevância. Se o Brasil quer competir, deve abandonar a
ilusão de que cada mineradora terá sua própria refinaria. A soberania brasileira exige à
inteligência institucional e humildade pragmática, porque o tempo corre, o dinheiro é limitado
e mercados não caem do céu. O caminho é a criação de uma “solução de condomínio
industrial”: o Hub TR, onde o processamento centralizado permite escala e viabilidade
econômica para todos os players do setor.

3. A Economia da Agregação de Valor: O Multiplicador de 45x

3.1. Introdução Analítica: O Imperativo da Lucratividade Nacional

Industrializar terras raras não é um exercício de nacionalismo retórico; é uma decisão
pragmática de fluxo de caixa nacional. A diferença entre exportar minério e produzir ímãs é a
diferença entre ser uma economia de subsistência e ser uma potência tecnológica.

3.2. Decomposição da Cadeia de Valor: A Escala do Lucro

A tabela abaixo ilustra o salto exponencial de valor à medida que o mineral é processado. A
maior parte desse valor é capturada após a etapa de separação.

Tabela 1: Comparativo de Agregação de Valor (Base: 1 tonelada de Monazita)

3.3. Avaliação de Impacto: O Significado da Conversão

O dado é avassalador: ao converter apenas 120 kg de NdPr (derivados de uma tonelada de
concentrado) em ímãs, o valor econômico da matéria-prima original é multiplicado por 45
vezes. Quando o Brasil exporta o concentrado, ele está “doando” 44 vezes o valor do seu
recurso natural para que outro país gere empregos de alta tecnologia e impostos em sua
própria jurisdição. Capturar essa margem é o que garantirá o financiamento de toda a
infraestrutura industrial do país.

3.4. Transição: Da Teoria ao Plano de Negócios

Essa pujança econômica é o que sustenta a viabilidade financeira do Hub TR. Não se busca
subsídio, mas a captura de uma margem que hoje é transferida gratuitamente para o exterior.
Para capturar esse valor, desenhou-se um modelo de negócio inovador que partilha riscos e
lucros.

4. O Modelo de Negócio Hub TR: Um Ecossistema de Riscos Partilhados²

4.1. Introdução Analítica: Orquestração Estratégica

O Hub TR não é uma estatal pesada, mas uma “plataforma de orquestração”. Ele resolve a falhade mercado da fragmentação mineral brasileira ao consolidar volumes de fornecedoresdistintos para atingir o “ponto de equilíbrio” industrial que o refino exige.

4.2. O Modelo de “Tolling” (Condomínio Industrial)

O diferencial é o modelo de Tolling: a mineradora mantém a propriedade do mineral (“Feed”) epaga ao Hub uma taxa de processamento (estimada em US$ 59,48/kg REO). O Hub atua comoum prestador de serviço tecnológico.

• Take-or-Pay: Mecanismo onde as mineradoras garantem o pagamento de custos fixos(~US$ 7,30/kg), assegurando a estabilidade financeira do Hub mesmo em ciclos debaixa do mercado.

• Eficiência: O Hub devolve os óxidos separados à mineradora, que agora possui umproduto de alto valor para exportar ou vender para a indústria nacional.

4.3. Estrutura de Capital e Sócios (Investimento Total: USD 409,5M)

A composição acionária é um equilíbrio tripartido desenhado para oferecer soberania nacional,segurança institucional e dinamismo privado.

² Essa proposta foi apresentada em 17/12/2025 à Secretaria Especial do PAC, órgão doMinistério da Casa Civil do governo federal.

Tabela 2: Estrutura de Equity (USD 122,9M)

Nota: O financiamento de 70% da dívida (USD 286,7M) seria via bancos de fomento com custo estimadoem 5% a.a. em dólar.

4.4. Mitigação de Riscos (De-risking) e Perfil de Retorno

O projeto apresenta uma TIR de 6% e um WACC de 4,11% em dólares de 2025, caracterizandoum perfil de “Utility” — um investimento estável, de baixo risco e previsibilidade de longo prazo,ideal para fundos de infraestrutura e parceiros estratégicos. O risco é mitigado peladiversificação de fornecedores de minério concentrado e de mercados de óxidos separados,porque cada mineradora acionista poderá desenvolver sua própria cadeia de consumidores,impedindo que a parada de uma mina ou de um mercado específico comprometa asobrevivência econômica da refinaria.

Aos acionistas mineradores fica assegurado a captura ao comercializar óxidos separados aoinvés de concentrado de minérios. Os acionistas industriais capturam valor ao ter acesso emcondições vantajosas à matéria-prima para seus processos metalúrgicos.

4.5. Transição: A Modernidade da Parceria

Este modelo supera a velha dicotomia entre Estado e Mercado. Ele não é uma tentativa demonopólio, mas uma rede de cooperação. É o reconhecimento de que, no setor de mineraiscríticos, a soberania moderna exige inteligência geopolítica e estratégia de integraçãoglobal.

5. Além da Petrobras: Por que o Modelo de Monopólio é Inadequado

5.1. Introdução Analítica: Evitando o “Estado 1.0”

Muitos analistas sugerem, por inércia histórica, a criação de uma “TerrasBras” nos moldes daPetrobras original. Este é um erro crasso de estratégia geopolítica. O mercado de terras raras éde “nicho tecnológico”, exigindo agilidade e parcerias em P&D que o modelo de monopólioestatal centralizado sufocaria.

5.2. O Desafio da Escala e do Mercado Doméstico

Diferente do petróleo, onde o Brasil tem um mercado interno gigante de combustíveis, as terrasraras servem a indústrias de ponta que ainda estão ganhando escala no país. Um monopólioisolado seria ineficiente e incapaz de absorver a produção. A soberania hoje não significa “fazertudo sozinho”, mas sim “ser indispensável para os outros”.

Quem sabe ser indispensável para os outros num mundo de competição geoestratégicaescolhe o que quer fazer, decide com quem quer trabalhar e negocia o quanto quer ganhar. Asoberania do século XXI é a soberania de rede. O Brasil será livre quando ele for o elo maiseficiente da cadeia verde global, não quando tentar construir uma autarquia mineral.

6. Especificações Técnicas, Governança e o Papel do Estado

6.1. Introdução Analítica: A Infraestrutura da Excelência

Para ser um centro global, o Hub TR deve operar sob os mais rigorosos padrões técnicos eregulatórios. Aqui, o Estado deixa de ser apenas acionista para se tornar o fiador da segurançae da viabilidade de longo prazo.

6.2. Rotas de Processamento e Capacidade (Total: 5.000 t/ano REO)

O projeto utiliza tecnologias validadas internacionalmente:

• Extração por Solventes (SX): Capacidade de 3.850 t/ano para terras raras leves (Ce/La)e 1.000 t/ano para o lucrativo NdPr. É a mesma tecnologia utilizada na planta de WhiteMesa (EUA).

• Troca Iônica (IX): Capacidade de 150 t/ano dedicada exclusivamente a terras raraspesadas (HRE), alcançando pureza superior a 99,999%.

6.3. O Papel do Estado e a Soberania Nuclear

Este é o ponto de maior arrojo estratégico e que levou à paralização da cadeia de terras rarasnos Estados Unidos: a gestão de Urânio e Tório presentes na Monazita.

• A Solução: O Estado brasileiro assume a titularidade e a custódia final desses rejeitos.

• Impacto Financeiro: Isso remove um passivo ambiental e jurídico imenso do balançodas empresas privadas, reduzindo drasticamente o risco do investimento.

• Visão de Futuro: O Tório e o Urânio não serão tratados como lixo, mas armazenadoscomo uma Reserva Estratégica de Energia. O Brasil estará estocando o combustívelpara a próxima geração de reatores nucleares modulares (SMRs).

6.4. Instrumentos Regulatórios: O “Pau e a Cenoura”

Para garantir que o Hub não seja apenas uma via de passagem, propõem-se mecanismos deproteção industrial:

• Imposto de Exportação Progressivo: Sobre concentrados, com 5 anos de carência,para forçar a industrialização local.

• Cota Prioritária de 35%: Consumidores de óxidos de terras raras instalados no Brasiltem acesso garantido a no mínimo 35% da produção de óxidos de terras raras do Hub TRa preços com referência internacional. Isso viabiliza a instalação da cadeia de produção

de componentes e equipamentos usados nas indústrias de petróleo, biocombustíveis,defesa e E-mobilidade.

• Incentivo Fiscal: Crédito de 5% no IRPJ para exportações de produtos finais (comomotores) que utilizem óxidos do Hub.

6.5. Transição: O Alicerce da Indústria Verde

Com as regras do jogo claras e o risco ambiental sob custódia estatal, o terreno está pronto parao florescimento de uma cadeia downstream sem precedentes no Hemisfério Sul.

7. O Impacto a Jusante: O Renascimento da Indústria Verde Brasileira

7.1. Introdução Analítica: A Reação em Cadeia

O Hub TR é o primeiro dominó de uma nova revolução industrial. Sua existência tornaeconomicamente viável a instalação de fábricas de ímãs e ligas que hoje preferem se localizarna Ásia, América do Norte ou na Europa.

7.2. A Nova Indústria: Do Óxido ao Produto Final

• Etapa 2 (Metalurgia): Transformação dos óxidos em ligas metálicas (NdFeB) e emcatalizadores para refino de petróleo e produção de biocombustíveis como o SAF.

• Etapa 3 (Ímãs): Fabricação de componentes que são o cérebro dos motores modernos.

• Etapa 4 (Indústria Final): Fornecimento para a WEG (aerogeradores e motoresindustriais) e Embraer (eletrificação da aviação), consolidando o Brasil como o “Hub deTecnologia Limpa” do mundo.

7.3. Soberania e Defesa

Em um cenário de conflitos globais, ter o controle da separação de terras raras é vital para aautonomia dos projetos de defesa brasileiros, como o Submarino Nuclear e o caça Gripen. Aindependência nacional depende de não sermos reféns de fornecedores que podem cortar osuprimento por conveniência política.

7.4. Conclusão Geral

O Hub TR é a única resposta concreta que alinha o interesse nacional brasileiro com anecessidade ocidental de “de-risking”. Ele transforma o Brasil de um espectador mineral em umpilar geopolítico. Ao resolver o gap da separação, capturamos o multiplicador de 45x egarantimos que a transição energética global tenha, obrigatoriamente, uma marca brasileira emseu DNA tecnológico. Este é o futuro da soberania industrial: verde, integrada e inabalável.

  ¹ Eng. Metalurgista, Dr.-Ing. pela Universidade Técnica de Clausthal, Alemanha. Ex-presidente da
Vallourec&Mannesmann do Brasil, da Usiminas e da Cia. de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais
([email protected])  

Os planos do Brasil na corrida por IA e soberania tecnológica: entrevista com Luís Antônio Elias

Como o Brasil pode alcançar o protagonismo tecnológico e evitar a dependência de inteligências artificiais estrangeiras? Para o entrevistado desta semana do Projeto Brasil, Luís Antônio Elias, presidente da FINEP, esta resposta passa, necessariamente, pelos esforços do governo federal para integrar a pesquisa científica ao setor industrial e investir em biotecnologia, defesa e segurança cibernética.

“O Brasil não pode ser coadjuvante nesse processo; nós temos que ser protagonistas”, afirmou.

Aos jornalistas Luis Nassif e Sergio Leo, Elias narrou como o Brasil planeja alcançar a soberania em Inteligência Artificial (IA) por meio de uma estratégia multisetorial que combina investimentos massivos, infraestrutura nacional e o desenvolvimento de tecnologias próprias. De acordo com o presidente da FINEP, o pilar central dessa iniciativa é o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que está sendo articulado pelo governo federal para garantir que o país não seja apenas um coadjuvante, mas um protagonista na fronteira tecnológica.

Este plano prevê a instalação de data centers em território brasileiro para reduzir a dependência de nuvens internacionais, que muitas vezes não oferecem proteção de dados adequada à soberania nacional na gestão de dados.

“Não basta só colocar em nuvem, o Brasil quer ter soberania nesse campo”, apontou.

Não apenas instalando os equipamentos em solo brasileiro, Luís Antônio Elias afirmou que essa infraestrutura brasileira em tecnologia passa, ainda, pela  criação de um “letramento” e de linguagens de Large Language Model (LLM) próprias em português, adaptadas à realidade e às necessidades do mercado brasileiro, garantindo segurança e proteção de dados. “Nós não podemos ficar fora dessa corrida, mas temos que entrar nela com o letramento e com a linguagem de LLM própria. Soberania se faz dessa forma.”

Além do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, os entrevistadores questionaram como o governo pretende financiar a pesquisa, ciência e tecnologia no setor. Elias contou que o governo liberou integralmente, neste ano de 2026, os recursos do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com a expectativa de aplicar bilhões de reais em créditos e subvenções econômicas para a inovação.

“Nunca antes na história desse país um recurso tão efetivo em crédito foi disponibilizado” para impulsionar as cadeias internas, explicou.  

O objetivo é elevar o patamar de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Brasil, que atualmente gira em torno de 1,2% a 1,3% do PIB, aproximando-o de potências como a China e os Estados Unidos, que chegam a 5%.

“O Estado é necessário”

Ainda no tópico dos investimentos públicos, os participantes abordaram o poder de compra estatal como uma das estratégias centrais para impulsionar a indústria nacional, seguindo modelos de sucesso já aplicados em setores como o de defesa (caças Gripen) e saúde (medicamentos genéricos e o SUS).

Elias defendeu a volta da política industrial como uma tendência global, afirmando que “o Estado é necessário para fazer esse processo” de indução e desenvolvimento nacional.

A entrevista completa pode ser assistida no episódio do Projeto Brasil no YouTube da TV GGN, confira: