IA entra na política: assistentes digitais organizam mandatos e projetos de lei

A Inteligência Artificial (IA) modernizou a gestão pública, está presente nas atividades políticas e assessorando mandatos parlamentares. Em entrevista ao Projeto Brasil, o professor do Departamento de História da Universidade Federal de Viçosa, André Luan Nunes Macedo, relata a sua atuação e o desenvolvimento de sistemas de IA para a gestão e organização política.

André Luan trabalha com inteligência artificial desde o final de 2023, quando iniciou a criação de agentes de IA. Com pós-doutorado na UFMG que buscou explorar a interseção entre ensino de história, educação e IA, em 2024, o pesquisador foi um dos coordenadores de campanha da vereadora Adriana Souza por Contagem. No período, ele criou métodos de organização de logística e demandas da campanha por meio de IA.

Deste trabalho surgiram assistentes digitais de IA para tarefas específicas do mandato, como o Sistema Juscelino (organização, sistematização e georreferenciamento das demandas), o Sistema Carlitos (do Planejamento Estratégico Situacional) e o Sistema Lucerna (consulta e auxílio na elaboração de projetos de lei). Ele explica como estes sistemas otimizaram o atendimento às demandas populares e auxiliaram na elaboração técnica de projetos de lei em gabinetes parlamentares.

“A gente conseguiu fazer com que o tempo da militância do gabinete fosse destinado não a tarefas burocráticas“, disse André Macedo, mostrando os benefícios dos sistemas. “Ao invés de ter manualmente uma secretária que vai escrever uma linha do Excel, ela joga pro Juscelino, e ele interpreta aquilo. Imagine o tempo que é economizado para conseguir fazer com que a burocracia ande de fato“, completou. 

Ele destaca que boa parte dessas ferramentas utiliza o motor do ChatGPT para automatizar tarefas burocráticas, permitindo que a equipe política foque em ações estratégicas e diretas com a comunidade. 

“O ChatGPT é como se fosse o motor desses robôs personalizados, e a gente personaliza esses robôs na plataforma e desenvolve eles voltados especificamente para as tarefas que a gente quer ter.”

Sobre isso, os debatedores alertam a falta técnica ou tecnologia nacional própria do Brasil, o que gera uma dependência de assinaturas de plataformas estrangeiras, como o ChatGPT. Os participantes também abordam a preocupação ética e de segurança quanto ao uso de dados públicos para treinar grandes modelos de linguagem de empresas privadas. Segundo eles, é necessário cautela para evitar que informações sensíveis sejam utilizadas pela “inteligência coletiva” dessas plataformas sem o devido controle.

Por fim, o pesquisador fala sobre o potencial da história preditiva para analisar cenários futuros com base em padrões históricos. 

“Nós que somos historiadores precisamos falar também sobre o futuro. Isso é fundamental para a política”, disse.    

O debate reforça a importância de integrar a expertise acadêmica às necessidades do setor público para promover uma administração mais eficiente e conectada com a era digital.

Assista à íntegra da entrevista do Projeto Brasil no YouTube da TVGGN: