Banco Master e BRB: por dentro das fraudes bilionárias que desafiaram reguladores

Para destrinchar os negócios bilionários do Banco Master e do BRB, o jornalista Luis Nassif recebeu o perito investigador de fraudes, Marcelo Alcides Carvalho Gomes, doutor em Ciências Contábeis pela FEA-USP, e Manfred Back, ex-trader, professor de economia e mercado de capitais.

Os especialistas analisaram a crescente amplitude das fraudes financeiras complexas no Brasil, com vistas nos casos Banco Master e Refite. Para eles, apesar da evolução tecnológica — que potencializa o alcance dos golpes —, as modalidades de fraude em si permanecem inalteradas, fundamentadas na ganância humana e no sonho do dinheiro fácil.

A digitalização e o avanço da tecnologia potencializaram a escala e a dimensão dos antigos esquemas financeiros fraudulentos, mesmo que a essência dos golpes permaneça a mesma. Marcelo Gomes expôs que o aparecimento de Fintechs e outros instrumentos digitais conferiu aos antigos esquemas uma dimensão enorme.

O que antes poderia ser a venda de um produto restrito a um bairro, hoje, com a internet, pode ser vendido “para o mundo”. Para Gomes, que é doutor em ciências contábeis e perito investigador de fraudes, essa é a principal mudança proporcionada pela tecnologia: a capacidade de transacionar muito maior, potencializando tudo o que os fraudadores fazem.

Ainda, com a tecnologia e a flexibilização exagerada dada pelo Banco Central e pela CVM, surgiu um “efeito pirâmide no mercado” com fundos de investimento que estão sempre precisando de mais recursos.

As instituições reguladoras, notadamente a CVM, foram apontadas como ineficazes por priorizar normas excessivas, em vez de investir em liderança técnica e aplicação da lei. Da mesma forma, embora o Banco Central possua um corpo técnico de auditoria excelente, sua gestão anterior foi criticada por decisões passadas sobre a supervisão de instituições financeiras, permitindo que irregularidades ganhassem grandes proporções.

O ex-trader Manfred Back compartilhou sua experiência e opinião sobre a reguladora, destacando que as falhas da Comissão de Valores Mobiliários não são recentes e que, na sua impressão, a instituição “até piorou”. Ele observou que o único método que coíbe o mercado é quando este “sente no bolso”, visto que a CVM se concentra em criar “alíneas e alíneas” de normas, muitas vezes sem cumprimento efetivo.

Os especialistas em contabilidade e economia também detalharam como criminosos utilizam paraísos fiscais como Delaware e sofisticadas operações de interligação entre empresas para a lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Eles concluíram que o combate efetivo exige menos novas legislações e mais foco no cumprimento rigoroso da lei e no aprimoramento tecnológico das agências de investigação.

Confira a íntegra do episódio do Projeto Brasil na TVGGN: