Estratégia Brasil 2050, uma tentativa de desenhar o futuro, por Luís Nassif

Enquanto o noticiário se perde em irrelevâncias sem fim, o futuro vai sendo construído graças ao espaço aberto por Lula. 

Luís Nassif

Até agora, o programa Estratégia Brasil 2050 (acesse o Fórum aqui) gerou três documentos básicos: um estudo sobre as megatendências globais; um relatório das entrevistas efetuadas no período; e uma síntese executiva dos estudos temáticos.

As Megatendências Mundiais

O trabalho identifica 14 mega tendências que impactarão o Brasil até 2050. Dentre elas:

  • Transição demográfica;
  • Aceleração das transformações tecnológicas;
  • Mudanças globais e eventos extremos;
  • Valorização da sustentabilidade e transição energética;
  • Mudanças nos padrões de consumo.

Foram identificadas também 28 incertezas, 5 globais e 23 nacionais, que podem afetar o país. Dentre elas, mudanças imprevisíveis na geopolítica, novos avanços tecnológicos e possíveis rupturas econômicas e sociais.

Desafios e fragilidades

Os mais relevantes são a desigualdade social persistente, educação de baixa qualidade e infraestrutura defasada. Mas também problemas institucionais, como baixa segurança jurídica, burocracia excessiva e falta de planejamento estratégico. O que levou a uma dependência de commodities, tornando o país vulnerável às oscilações do mercado internacional.

Aliás, deve haver estudos sobre as relações entre preços de commodities e estabilidade política. Lula conseguiu espaço com o boom das commodities; enquanto o impeachment de Dilma Rousseff foi acelerado pela queda nas cotações.

Movimentos globais e riscos

O Brasil será impactado por mudanças como a digitalização, mudanças climáticas e envelhecimento da população. Além de incertezas geopolíticas, crises sanitárias, protecionismo e ameaças à democracia.

Visão para 2050

Perseguir um modelo que tenha inclusão social, competitividade econômicas, sustentabilidade e fortalecimento institucionais. Propõem-se reformas estruturais, de melhoria da educação, promoção da inovação tecnológica e modernização da infraestrutura.

Nas ações sociais, sugere-se a reformulação de políticas de transferência de renda, ampliação de acesso à moradia e serviços essenciais.

A Síntese Executiva

Esses dados foram consolidados em uma Síntese Executiva, com as seguintes propostas:

1. Desenvolvimento Social e Garantia de Direitos

Erradicação da pobreza e redução das desigualdades: Prioridade para o Brasil, com foco em programas de transferência de renda e políticas integradas para a inclusão social.

  • Educação: Garantia de acesso equitativo e inclusivo à educação básica, com ênfase na redução da evasão escolar, principalmente no ensino médio.
  • Saúde: Adaptação do Sistema Único de Saúde (SUS) à nova dinâmica demográfica e climática, visando aumentar a cobertura e qualidade do atendimento, especialmente em áreas vulneráveis.
  • Previdência e Assistência Social: Garantia da sustentabilidade do sistema previdenciário diante do envelhecimento populacional e novas modalidades de trabalho.
  • Cultura e Diversidade: Valorização da cultura como fator de inclusão e identidade nacional, promovendo o acesso equitativo à cultura, especialmente nas periferias.

2. Desenvolvimento Econômico e Sustentabilidade Socioambiental e Climática

  • Cidades sustentáveis e resilientes: Adoção de soluções que integrem sustentabilidade e urbanização, visando a melhoria da infraestrutura e da qualidade de vida.
  • Descarbonização da economia: Planejamento para a transição para uma economia de baixo carbono.
  • Transição energética: Modernização da matriz energética para aumentar a produção e consumo de fontes limpas, como solar e eólica.
  • Transformação digital e inovação: Desenvolvimento de um ecossistema digital competitivo, com foco em inteligência artificial, segurança cibernética e inovação tecnológica.
  • Sustentabilidade hídrica e biodiversidade: Garantia do uso sustentável dos recursos naturais e da preservação ambiental, especialmente da biodiversidade.

3. Fortalecimento das Instituições Democráticas e da Soberania Nacional

  • Fortalecimento da democracia e das instituições: Desenvolvimento de um Estado mais eficiente e transparente, com foco na redução das desigualdades e na promoção da justiça social.
  • Segurança pública: Modernização da segurança pública com tecnologias avançadas, buscando a redução da criminalidade e maior proteção à vida.
  • Soberania nacional: Expansão do papel do Brasil na ordem mundial, com ênfase na integração regional e fortalecimento da posição geopolítica do país.
  • Defesa e soberania: Reforço das capacidades de defesa nacional, com foco na proteção das fronteiras e na modernização das forças armadas.

As ameaças

Não se deve esquecer (e agora as observações são minhas) que virando a esquina haverá um Bolsonaro, um Tarcísio ou a malícia política de um Michel Temer. E uma mídia que ainda não entendeu o conceito de políticas estruturantes com continuidade.