A economia mundial presencia o “declínio da hegemonia americana” e a busca por alternativas para um Novo Sistema Monetário Global, apontam os economistas e professores Luís Gonzaga de Melo Belluzzo e Manfred Beck, em entrevista especial ao Projeto Brasil.
Na conversa com os jornalistas Luís Nassif e Sergio Leo, os especialistas destacaram a descentralização do poder monetário global, impulsionada pelo declínio da hegemonia do dólar e a ascensão de outras moedas e sistemas de pagamento, especialmente da China.
Segundo eles, as ações do ex-presidente Trump, visando reindustrializar os Estados Unidos e enfraquecer o dólar, ironicamente impulsionaram a busca por alternativas e o fortalecimento de blocos como os BRICS, do qual a China e o Brasil formam parte.
Entre os fatores que contribuem para o fim desta hegemonia norte-americana, está a política de Donald Trump de congelar ativos russos e as leis como a Magnitsky, que negam o uso do dólar a certas pessoas, expõem o dólar como um instrumento de poder e geram desconfiança internacional.
Isso tem levado países como a China a buscar relações monetárias bilaterais, desenvolver sistemas de pagamento próprios (como um concorrente do SWIFT, que é mais rápido) e acumular ouro.
Ainda, embora os EUA tentem adiar a “morte” do dólar através de iniciativas como os stablecoins (criptomoedas estáveis lastreadas em dólar ou títulos públicos americanos, porém com controle centralizado), a transformação do sistema monetário financeiro é vista pelos economistas como “inexorável”.
Ao mesmo tempo, o avanço das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), com a China liderando o desenvolvimento e 150 bancos centrais no mundo explorando a ideia, aponta para uma era em que a moeda digital se tornará a realização do conceito de moeda no capitalismo.
Luís Gonzaga Belluzzo e Manfred Beck também criticaram o regime de metas inflacionárias, considerando-o uma armadilha que aprisiona a economia brasileira e ignoram outras variáveis importantes. Por fim, exploram-se as implicações da digitalização da moeda e a necessidade de uma maior vigilância sobre o sistema financeiro liberalizado diante do avanço do crime organizado e da especulação.
Para eles, a economia brasileira está inserida em um ambiente onde a taxa de juros e o câmbio são produtos de forças globais complexas, incluindo o carry trade e o volume expressivo dos mercados futuros. As limitações do Banco Central para intervir e o debate sobre a eficácia do regime de metas de inflação somam-se a um cenário internacional de transição na hegemonia monetária, tornando a gestão dessas variáveis um desafio constante para o desenvolvimento econômico do país.
Assista à íntegra da entrevista ao Projeto Brasil: