Convidar um amigo

Compartilhar

Conteúdo exclusivo

Conteúdo exclusivo

Grupos
  • Foto de perfil
    FESPSP (2 membros)
    Grupo para a divulgação de conteúdos de pesquisadores e da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
  • Foto de perfil
    Administração Pública (6 membros)
    Grupo sobre questões relacionadas à Administração Pública, sob o olhar do atendimento do Interesse Público e Direitos Fundamentais, para estudiosos do Direito Administrativo, Políticas Públicas e Gestão Pública.
  • Foto de perfil
    Direito para Tod@s! (9 membros)
    Grupo de estudantes e pesquisadores de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) para discutir diferentes áreas: Direito e Políticas Públicas, Gênero, Tecnologia, Constitucional, Penal, Tributário, entre outros.
  • Foto de perfil
    Meio Ambiente (3 membros)
    Discussão sobre pauta ambiental e projetos de preservação do meio ambiente
  • Foto de perfil
    Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento, INC (2 membros)
    Grupo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT-PPED), rede de pesquisa que tem como principal objetivo contribuir para a renovação conceitual e instrumental da ação pública comprometida com o desenvolvimento.

Argentina: Salários em queda

Silvia Portela 

Este texto do Página 12 mostra as péssimas condições que enfrentam os argentinos diante da política econômica criminosa de Milei, Nem mesmo o principal sindicato argentino, o Sindicato dos Comerciários consegue repôr os salários corroídos pela inflação. Com o grande aumento do trabalho precário e informal no país é possível imaginar a terrível situação da maioria dos trabalhadores argentinos. 

O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais traduziu este texto do Página 12, o conhecido periódico argentino.

A âncora imposta pelo Governo afundou o poder de compra

Os salários diminuíram na maioria dos sindicatos  

Em novembro, registrou-se uma queda real média de 4,5% em 80% dos acordos coletivos.  

Por Mara Pedrazzoli, publicado em 17 de janeiro de 2026  

Em 2025, o Governo estabeleceu diretrizes salariais rígidas e congelou os aumentos em torno de 1,5%, insuficientes para compensar a alta dos preços. Como resultado, em novembro, o salário médio nos principais acordos coletivos havia acumulado uma perda real de 4,5% em comparação com o início do ano. A queda na renda foi generalizada e teve impacto direto no consumo e na atividade econômica interna. Na prática, os acordos coletivos atuaram como âncora para um processo de desinflação que acabou fracassando, levando a quedas persistentes nos salários reais no setor privado — uma dinâmica que se aprofundou nos meses seguintes e com a aceleração da inflação que marcou o final do ano.  

Diante da imposição, pelo governo, de uma diretriz salarial excessivamente exigente — com aumentos mensais de 1,5% entre julho e novembro, resultando em uma significativa perda do poder de compra —, as negociações tiveram que ser reabertas em dezembro e janeiro com aumentos maiores. “A situação atual é semelhante à que ocorreu após a suspensão do controle de capitais”, observa Federico Pastrana, diretor da CP Consultora e autor de seu relatório mais recente.  

A reabertura da negociação coletiva revelou que a estrutura salarial oficial era insustentável diante da alta dos preços e forçou uma correção, ainda que tardia, de uma política que corroía a renda. 

No início de 2025, o governo havia pressionado por negociações abaixo de 2% ao mês, mas a disparada inflacionária em março e abril e a consequente queda real dos salários forçaram um afrouxamento das diretrizes. Posteriormente, com a desaceleração dos preços em maio e junho, o governo voltou a endurecer as diretrizes salariais. Essa oscilação nas diretrizes salariais revelou uma estratégia errática, sujeita ao ambiente inflacionário, que transferiu o custo do ajuste para os salários.  

As diretrizes salariais ganharam novo fôlego em dezembro e janeiro, mas a aceleração dos preços no final de 2025 atingiu tal magnitude que os novos acordos não conseguiram compensar a queda acumulada. Segundo dados da consultoria, em novembro de 2025, o salário médio sob os principais acordos coletivos de trabalho havia acumulado uma perda real de 4,5% em comparação com o início do ano. Assim, mesmo com acordos mais favoráveis ​​no final do ano, os salários reais ainda não haviam se recuperado.  

Nesse sentido, como alerta Pastrana, “a política salarial está em suspenso”. Diante das quedas ininterruptas, nas negociações coletivas retomadas em dezembro e janeiro, foram alcançados aumentos salariais mais expressivos, mas os índices exorbitantes de inflação mensal estão impulsionando uma tendência de estagnação que pode persistir. “O componente político (reforma trabalhista) e o desempenho do emprego e da inflação serão fatores decisivos na evolução dos salários nos próximos meses”, conclui o relatório. Além disso, uma análise dos diversos Acordos Coletivos de Trabalho revela que a queda em relação à inflação foi generalizada. “Nos últimos cinco meses comparados (entre agosto e dezembro de 2025), apenas 20% dos setores conseguiram aumentar os salários reais em relação ao mês anterior”, afirma o CP.  

Isso significa que uma pequena fração dos sindicatos obteve uma melhora relativa na renda, enquanto a grande maioria viu suas condições salariais piorarem. Nesse sentido, o cenário “frouxo” do mercado de trabalho desempenha um papel fundamental: com suspensões, férias antecipadas, demissões e fechamento de empresas, a possibilidade de negociar aumentos salariais é limitada.  

A queda na renda também se reflete em outros indicadores salariais, além dos principais acordos coletivos. Segundo o relatório da CP Consultora, o Índice de Salários (IS) do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) apresentou queda real de 0,2% em outubro, pelo segundo mês consecutivo.  

Da mesma forma, o salário médio no Sistema Integrado de Pensões da Argentina (SIPA), divulgado pelo Ministério do Trabalho, registrou queda real mensal de 0,9% em novembro, marcando seu terceiro declínio consecutivo. Em conjunto, esses dados confirmam que a deterioração dos salários reais é um fenômeno generalizado e persistente que continua a corroer o poder de compra dos trabalhadores.  

Por outro lado, por setor, constata-se que as negociações coletivas são mais heterogêneas do que eram há alguns meses. “Os percentuais acordados e a incorporação de valores fixos apresentam um cenário mais diverso”, o que se reflete no aumento do coeficiente de variação, que subiu de 55% em agosto para 85% em outubro. As diferentes realidades setoriais também se traduzem em acordos mais diversos.  

Especificamente, no caso do acordo coletivo do Comércio, descrito no relatório da CP, o maior do país e frequentemente utilizado como referência para os demais, após seis meses de aumentos mensais não cumulativos de 1%, o último acordo assinado (dezembro) estipula apenas a incorporação de um valor fixo extraordinário de 60.000 pesos. Isso não compensa a perda anterior e, sem qualquer aumento percentual daqui para frente, promete rápida erosão de seu valor nos próximos três meses.  

“A incapacidade de estabelecer um aumento percentual no acordo coletivo mais importante do país é sintoma da falta de uma diretriz salarial clara”, afirmam.  

A análise dos diversos acordos coletivos de trabalho também mostra que, ao contrário da visão tradicional que equipara mecanicamente a inflação mais baixa a contratos cada vez mais longos, o processo atual é lento. Os acordos aumentaram sua duração apenas timidamente, de uma média de 3,2 meses em agosto para 3,6 meses em dezembro de 2025. 

Este texto foi traduzido do espanhol com uso de uma ferramenta automática, com pequenas modificações.. As opiniões expressas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as visões do ODTI. 

7 minutos de leitura 1.290 palavras 43 visualizações

Deixe um comentário