Convidar um amigo

Compartilhar

Conteúdo exclusivo

Conteúdo exclusivo

Grupos
  • Foto de perfil
    FESPSP (2 membros)
    Grupo para a divulgação de conteúdos de pesquisadores e da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
  • Foto de perfil
    Administração Pública (6 membros)
    Grupo sobre questões relacionadas à Administração Pública, sob o olhar do atendimento do Interesse Público e Direitos Fundamentais, para estudiosos do Direito Administrativo, Políticas Públicas e Gestão Pública.
  • Foto de perfil
    Direito para Tod@s! (9 membros)
    Grupo de estudantes e pesquisadores de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) para discutir diferentes áreas: Direito e Políticas Públicas, Gênero, Tecnologia, Constitucional, Penal, Tributário, entre outros.
  • Foto de perfil
    Meio Ambiente (3 membros)
    Discussão sobre pauta ambiental e projetos de preservação do meio ambiente
  • Foto de perfil
    Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento, INC (2 membros)
    Grupo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT-PPED), rede de pesquisa que tem como principal objetivo contribuir para a renovação conceitual e instrumental da ação pública comprometida com o desenvolvimento.

O que é preciso para o desenvolvimento real no Brasil

“A agenda de desenvolvimento deve ser voltada para a superação dos grandes problemas brasileiros”

Patricia Faermann

Jornal GGN

Com o governo brasileiro em meio a uma crise da esquerda, da divulgação das políticas bem-sucedidas, da busca pelo protagonismo econômico, e alvo de uma das mais importantes pressões dos EUA, dois grandes economistas – Luiz Gonzaga Belluzzo e Carlos Gadelha – defendem a reorganização, enfrentando os desafios e com uma nova perspectiva para o desenvolvimento nacional.

Na abertura do lançamento do Projeto Brasil, Celso Gadelha ressaltou a relevância da iniciativa no cenário atual e a necessidade de um projeto de desenvolvimento nacional.

Ele expressou a honra de participar do projeto, fazendo lembrar a sua vida dedicada à perspectiva do desenvolvimento do Brasil e a trajetória de retomar o pensamento desenvolvimentista brasileiro, deixado por inspirações como Celso Furtado, em novas bases.

Para isso, destacou a necessidade de se colocar a equidade e a desigualdade no centro da estratégia de governo, e superar a ideia de que questões sociais, ambientais e a própria desigualdade são elementos “naturais ou herdados” e que teríamos que “nos conformar”.

“É ao contrário, a grande agenda que o Brasil deve ao Brasil, que a classe política, as universidades, o pensamento estratégico devem ao Brasil é uma agenda de desenvolvimento voltada para a superação dos grandes problemas brasileiros.”

Gadelha apresentou dados comparativos chocantes: o Brasil, mesmo com um sistema de saúde universal, o SUS, financia menos de 50% do gasto em saúde com recursos públicos, enquanto a saúde, frequentemente vista como gasto, é uma das áreas que mais geram empregos.

“Nos Estados Unidos, 10% do emprego hoje gerado está no campo da saúde. Se eu somar saúde, educação e mobilidade urbana, como nós estamos conversando aqui, a gente está caminhando de uma visão que foi muito arraigada no campo da saúde para uma visão mais ampla. A chave para o desenvolvimento é superar essa iniquidade terrível que a gente tem no Brasil, e colocar a área social e a área ambiental como os novos grandes vetores de uma estratégia de reindustrialização e de inovação.”

O especialista comparou os gastos em saúde, educação e ciência/tecnologia/inovação, que são cerca de R$ 420 bilhões anuais, ao gasto de R$ 946 bilhões em juros no ano anterior, enfatizando a necessidade de inverter esse modelo.

“Não apenas em um modelo – eu comecei aqui mostrando Celso Furtado – de a gente retomar o desenvolvimento, mas dialogar intrinsecamente com a aposta de um novo país. A gente precisa entregar um país digno da nossa própria população.”

Por fim, Gadelha propôs “radicalizar, generalizar e ampliar a experiência bem-sucedida da saúde”, onde o Sistema Único de Saúde (SUS), a inovação e a produção industrial foram combinados. O objetivo é pensar em um projeto de país e uma “política de desenvolvimento, industrial e de inovação que dialogue com as demandas da sociedade brasileira”.

Em participação especial no evento, o Professor Luiz Gonzaga Belluzzo também trouxe diversas reflexões importantes, conectando-as à história econômica e social do país, e ao cenário internacional.

Entre as propostas apresentadas por Belluzzo, ele destacou o financiamento das atividades de pesquisa e desenvolvimento, criticando a “grande ignorância” a respeito de como o gasto do governo deve ser executado. Ele refutou a ideia de que a dívida pública seja um problema intrínseco, explicando que os títulos da dívida pública são instrumentos constitutivos dos mercados financeiros, e expressou preocupação com discursos que distorcem essa realidade.

O economista defendeu a criação de um sistema de financiamento “eficaz”, tomando como exemplo a trajetória bem-sucedida da China nos últimos 30-40 anos, com a articulação entre o Banco Central, os bancos públicos (que detêm 80% do crédito), os bancos privados e as empresas públicas na China, que subsidiam o setor privado e promovem um grande avanço do empreendedorismo. Ele lamentou que essas questões não sejam debatidas no Brasil.

“Como é que você não articula essas instituições econômicas e sociais, à semelhança [do que é feito na China]? Eu diria que até o Brasil já teve alguns momentos em que fez essa articulação”, disse, mencionando o papel decisivo que bancos públicos como o BNDES tiveram na industrialização do país, em 1952. Ele defendeu que o Ministério do Planejamento e o Ministério da Fazenda deveriam promover essa articulação para dar possibilidade de crescimento à economia.

Em meio aos recentes ataques de Donald Trump com a taxação ao Brasil e aos BRICs, Belluzzo também afirmou a necessidade de manter as relações internacionais como eixo central do desenvolvimento nacional.

O economista criticou um “nacionalismo um pouco tosco” que ignora a importância das relações internacionais. Ele afirmou que o capitalismo sempre foi internacional e que um projeto de desenvolvimento não pode se realizar sem levar em conta as relações internacionais, sejam elas financeiras, produtivas, etc. E citou o exemplo do governo Juscelino Kubitschek, que soube aproveitar a recuperação europeia para atrair investimento estrangeiro e empresas importantes, como as automobilísticas.

“Nós temos a oportunidade de reproduzir isso de outra forma, diante da aproximação com os países dos BRICs, e no centro desse desse sistema está a segunda maior economia do mundo [a China], interessada não só em preservar as suas conquistas, mas também de ter uma participação internacional muito mais pródiga, muito mais interessante”, completou.

Belluzzo elogiou a iniciativa do Projeto Brasil, como uma ferramenta de reordenamento do sistema de conhecimento e articulação entre as Universidades e de mobilização social. Ele observou que as universidades brasileiras estão “muito desarticuladas” e que essa articulação não acontecerá espontaneamente, mas exige um programa que contemple pesquisa e avanços tecnológicos. Belluzzo usou como exemplo propostas do governo como a “Nova Indústria Brasil”, que não avançarão sem essa articulação e construção social.

Veja estas e outras participações no evento de lançamento do Projeto Brasil, na TVGGN no Youtube:

6 minutos de leitura 1.081 palavras 18 visualizações

Deixe um comentário