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O papel da engenharia no desenvolvimento econômico e tecnológico do país

Camila Bezerra

Jornal GGN

A live de lançamento do Projeto Brasil, realizada na última quarta-feira (9), contou ainda com a participação do ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Sergio Rezende, e do presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Fernando Rizzo, que falaram sobre os desafios que o Brasil enfrenta na área de inovação.

Organizador da 5ª Conferência 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª CNCTI), Rezende elencou algumas das conclusões do evento sobre as diretrizes que o país deve tomar para avançar na área.

As conclusões foram divididas em quatro eixos. No primeiro deles, o ex-ministro destacou a importância da recuperação do sistema nacional de tecnologia, especialmente tendo em vista que o investimento público nas áreas de educação, ciência e tecnologia transformou a China em uma das maiores economias do mundo.

Assim, Rezende observa que ficou acordado na 5ª CNCTI o compromisso de aumentar o investimento na área, a fim de que sejam investidos 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país até 2028 e 2,5% até 2035.

No eixo 3, que se refere ao programa de estratégias nacionais, congressistas chegaram à conclusão de que o Brasil deve investir nos setores de microeletrônica, nanotecnologia, biotecnologia e biodiversidade, saúde, biomas brasileiros, mudanças climáticas, energias renováveis, minerais estratégicos, entre outros.

Já no eixo 4, o ex-ministro destacou a importância de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social da população.

Neoindustrialização

Fernando Rizzo também deu sua contribuição ao explicar os pilares que devem nortear o desenvolvimento do eixo 2 de atuação estratégica do país, voltado para a neoindustrialização.

Um dos principais pontos abordados foi o papel fundamental da engenharia nacional na modernização da indústria brasileira. De acordo com o presidente do CGEE, presente em todas as reuniões preparatórias da conferência, a engenharia foi citada de forma recorrente como essencial para o avanço tecnológico e para a implementação de tecnologias limpas e sustentáveis.

A contribuição da engenharia também é vista como decisiva em experiências internacionais de transição industrial, como as ocorridas na China, Coreia do Sul e até mesmo na antiga União Soviética.

O convidado ressaltou ainda que, apesar das boas iniciativas, há fragilidade na conexão entre academia e setor produtivo, cuja integração é historicamente limitada no Brasil, reflexo de uma indústria que se baseou por muito tempo em processos de cópia e que, em grande parte, foi adquirida por empresas estrangeiras.

Isso gera uma dependência tecnológica de matrizes no exterior e compromete o desenvolvimento de soluções próprias.

O caso da indústria automobilística foi citado como exemplo: após um período promissor, o setor voltou a ser dominado por multinacionais, enquanto países asiáticos como Japão, Coreia e China avançaram com estratégias industriais consistentes.

Outro tema recorrente foi a falta de continuidade nas políticas públicas. Embora o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) disponha de recursos, há preocupação constante com a ameaça de contingenciamento e redirecionamento dos fundos. “Programas muito bons começam, mas são descontinuados por diferentes razões”, afirmou o Rizzo, ressaltando a importância de um apoio estrutural e de longo prazo para pesquisa, inovação e infraestrutura.

A modernização de laboratórios, centros de pesquisa e unidades de produção também foi destacada como pontes cruciais para a inovação industrial.

A descarbonização e a transição energética surgiram como eixos estratégicos para esse novo momento da indústria, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A discussão se estendeu ao contexto internacional, com reflexões sobre o atual cenário do Brics e as tensões geopolíticas envolvendo o bloco. Houve menção a um evento previsto para outubro no CGEE, voltado para análise de tendências futuras.

Rizzo alertou ainda para um fenômeno global: o ataque à ciência, o aumento do ceticismo e o surgimento de artigos científicos produzidos com o auxílio indevido da inteligência artificial, levantando questões sobre a credibilidade e os rumos da produção científica.

Nesse contexto, enfatizou-se a necessidade de aproximar cada vez mais a ciência da sociedade, por meio de esforços de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. A medicina translacional foi citada como exemplo bem-sucedido dessa ponte, levando rapidamente os resultados da pesquisa para a prática clínica.

Como mensagem final, Fernando Rizzo defendeu o fortalecimento da ciência aplicada, com foco nos impactos sociais da pesquisa. Segundo ele, o CEGEP pretende realizar ainda este ano um evento específico para tratar de formas de aproximar a ciência dos resultados concretos para a população.

“A universidade precisa cada vez mais construir essa ponte entre o conhecimento e os benefícios sociais. É uma responsabilidade que só cresce.”

Os três livros sobre as conclusões da 5ª CNCTI estão disponíveis no aqui no Projeto Brasil.

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