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Brasil pode barrar o domínio digital com o BRICS, apontam pesquisadoras

Somente o multilateralismo do Brasil com os países do Sul Global e os BRICS é capaz de fazer frente ao poderio das Big Techs norte-americanas e sua tentativa de dominação transnacional, que coloca em risco as soberanias destes países.

Essa é a interpretação de Laura Ludovico, advogada especialista em Direito Internacional, diretora de projetos e pesquisas do Fórum para Tecnologia Estratégica do BRICS e diretora de pesquisa do Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+.

Ela é a convidada da especialista em dados e soberania tecnológica Isabela Rocha, no segundo episódio da série especial Soberania Digital, do Projeto Brasil:

Nesta aula, as pesquisadores apontam como o Brasil pode se constrastar a hegemonia tradicional do Norte Global e que a colaboração entre nações é vital para garantir o controle dos dados e o desenvolvimento tecnológico dos países.

Rocha e Ludovico também exploram como países como China, Rússia e Índia têm construído sua autossuficiência tecnológica e como o Brasil pode seguir um caminho similar, investindo em pesquisa e desenvolvimento, em vez de depender exclusivamente de soluções estrangeiras.

Segundo a advogada, as vulnerabilidades das grandes potências globais impulsionam a transição para um novo arranjo internacional porque o cenário de dominação hegemônico “já deu o que tinha que dar” e não possui mais uma capacidade frutífera.

Elas explicam que “vivemos um período de transição”, que pode ser descrito como o “interregno” de Gramsci, onde o velho sistema já esgotou suas possibilidades, mas o novo ainda não está plenamente estabelecido, em referência aos Cadernos do Cárcere (1947) de Antonio Gramsci.

“Quando a gente pensa nesse processo de transição que estamos passando, desse momento mais hegemônico e dominador para esse momento mais multilateral, a gente precisa verificar as vulnerabilidades. Quais são as principais vulnerabilidades dessas macroeconomias, dessas grandes ‘potências’? O que causa essa vulnerabilidade? É um fator interno ou é um fator externo?”, questiona Laura Ludovico.

“Voltando à guerra russa-craniana, a gente percebe que a Europa entrou numa crise energética, econômica e política. Ela era muito dependente da Rússia. Então essa vulnerabilidade é deles com a Rússia. Já a Rússia, que é um grande nesse cenário, não sofreu com as sanções. Basicamente, está lá com 1 bilhão de sanções na lista e nada acontece.”

“O que a política externa de cada país faz sobre essas vulnerabilidades? A de Trump faz o tarifaço para não depender das pessoas. O Brasil faz cooperação com outros países justamente para ampliar esse rol de cooperação. E o mais denunciador disso é questionar quais alianças suprem essa vulnerabilidade. A vulnerabilidade da China é suprida com o BRICS. A vulnerabilidade da Índia é suprida com o BRICS. A mesma coisa acontece com o Brasil, com o Irã. E como a vulnerabilidade dos Estados Unidos é suprida? Com tarifaço, com sanções, com esse comportamento realmente imperialista. Então fica essa reflexão para o mundo”, traz a pesquisadora.

O episódio com de Isabela Rocha com Laura Ludovico está disponível no canal da TV GGN no Youtube.

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