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A União dos Enfermeiros e Enfermeiras dos Estados Unidos e membros de comunidades em todo o país pedem que a Palantir e sua perigosa tecnologia sejam banidos dos sistemas de saúde. O sindicato critica a falta de transparência da tecnologia da Palantir e os riscos de sua notória ligação com a repressão do ICE contra os imigrantes.
O Observatório dos Direitos Trabalhistas e Sociais Internacionais, traduziu o texto original de Healthcare IT News, “a fonte de referência do setor, cobrindo as pessoas, as políticas e as tecnologias que impulsionam a próxima geração da saúde nos EUA e em todo o mundo”.
Enfermeiros em todo o país protestam contra a tecnologia da Palantir em hospitais
Profissionais de saúde e membros da comunidade em cidades de todo o país estão pedindo que hospitais e sistemas de saúde “rompam imediatamente os laços” com a gigante da IA.
Por Nathan Eddy, publicado em 27 de agosto de 2026
A National Nurses United (NNU), o maior sindicato de enfermeiros e enfermeiras dos EUA, está intensificando suas preocupações com o uso da tecnologia da Palantir em hospitais e sistemas de saúde.
Entre outras queixas, seus membros argumentam que os sistemas automatizados de alocação de pessoal e as práticas opacas de dados da empresa exigem uma supervisão clínica mais rigorosa e maior transparência.
A NNU anunciou que enfermeiros, pacientes e aliados da comunidade estão se manifestando em 27 de agosto em oito cidades dos EUA, da Área da Baía à Nova Inglaterra, exigindo que os sistemas de saúde e autoridades públicas rompam os laços com a empresa de software e vigilância.
O sindicato, que representa mais de 225.000 enfermeiros e enfermeiras, organizou eventos em Palo Alto, Califórnia, e Los Angeles; Chicago; Washington, DC; Portland, Maine; Asheville, Carolina do Norte; Austin, Texas; e Nova Orleans.
Sindicato questiona dimensionamento automatizado de pessoal e uso de dados.
As preocupações do sindicato de enfermagem (NNU) com relação à saúde se concentram, em parte, no uso do Timpani pela HCA Healthcare, uma plataforma automatizada de agendamento e dimensionamento de pessoal desenvolvida com a tecnologia da Palantir.
O NNU argumenta que a centralização dessas decisões pode excluir gerentes locais e substituir o julgamento clínico necessário para determinar o dimensionamento adequado de pessoal em cada unidade por um software.
A HCA rebateu argumentando que o Timpani utiliza as preferências, competências, regras de agendamento e outras informações dos funcionários para gerar possíveis escalas, que os líderes de enfermagem não podem revisar e editar, e afirma que os funcionários da linha de frente ajudaram a projetar a plataforma e continuam a contribuir para o seu desenvolvimento.
“Em toda a HCA Healthcare, a tecnologia de agendamento é usada para reduzir o trabalho administrativo e ajudar os líderes de enfermagem a atender às preferências de escala dos enfermeiros”, disse um porta-voz da Mission Health, pertencente à HCA, à 828 News Now de Asheville, Carolina do Norte. “A ferramenta é um recurso usado pelos líderes de enfermagem e não toma decisões de escala nem usa dados de pacientes.”
A NNU também observa que a MaineHealth usa a tecnologia da Palantir para análises, mas não divulgou informações suficientes sobre o escopo do relacionamento ou as salvaguardas que regem os dados de pacientes e funcionários – no mês passado, o próprio sindicato dos enfermeiros da MaineHealth pediu que o sistema de saúde cancelasse seu contrato com a Palantir.
“Até o momento, essa ferramenta ajudou a reverter negativas de cobertura indevidas para milhares de pacientes da MaineHealth que receberam cuidados médicos necessários”, observaram os líderes da MaineHealth em um comunicado em julho. “O papel da ferramenta se limita a essa única função”, disseram os representantes. “A tecnologia da Palantir não está envolvida em decisões clínicas, nem a Palantir possui ou controla os dados da MaineHealth.”
Disputa sobre o Medicaid levanta questões de privacidade.
As manifestações também conectam a campanha hospitalar com o trabalho da Palantir para o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Documentos judiciais tornados públicos em julho mostraram que o ICE compartilhou um conjunto de dados do Medicaid que não estava autorizado a reter com funcionários da Palantir.
Autoridades federais afirmaram que o arquivo não foi usado para fins de segurança pública, embora os registros judiciais mostrem que cópias permaneceram mesmo após o ICE ter sido instruído a excluí-lo.
A Palantir opera o ELITE, um aplicativo que fornece aos agentes do ICE endereços de estrangeiros que podem estar sujeitos à deportação. A NNU citou o sistema como prova de que o trabalho da Palantir fora da área da saúde não pode ser dissociado de questões sobre confiança e governança de dados dentro dos hospitais.
“Nenhuma parte do país ficou imune ao terror e à violência do ICE e da CBP [Alfândega e Proteção de Fronteiras], facilitados pela tecnologia da Palantir”, disse a presidente da NNU, enfermeira Jamie Brown, em um comunicado antes dos protestos dos enfermeiros.
“Temos que resistir a um futuro em que bilionários da tecnologia controlem nossa política e nossos recursos públicos”, acrescentou.
Nathan Eddy é um freelancer especializado em saúde e tecnologia. Sediado em Berlim. Contate o autor por e-mail: [email protected].
Healthcare IT News é uma publicação da HIMSS Media.
Este texto foi traduzido para o português com pequenas modificações e, portanto, sem a revisão dos autores. As opiniões expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente as visões do ODTI. O texto original contêm os links para as referências.
Nota do revisor: O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação, informopu em 24.07.2026 “que iniciou, junto ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), os procedimentos para descontinuar a utilização da plataforma Foundry, da empresa Palantir”.
O arranjo envolvendo o Serpro, a AWS e a tecnologia da Palantir em dezembro de 2023 gerou questionamentos no Congresso e na sociedade civil quanto à soberania de dados educacionais, somando montantes expressivos em contratos de infraestrutura tecnológica.
De acordo com dois estudos apresentados durante o 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital, realizado em Brasília nos dias 18 e 19 de maio deste ano, o Brasil tem baixo nível de soberania digital, pois é dependente tecnologicamente das corporações transnacionais de tecnologia dos Estados Unidos, em primeiro lugar, e da China e da Europa.]
Maiores infomações sobre essa questão podem ser encontradas no texto de Lia Ribeiro Dias , jornalista e pesquisadora do Laboratório de Tecnologias Livres – Lablivre da UFABC.


