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Relatório: Ataques a defensores dos direitos humanos presentes em todo o mundo empresarial

Ataques contra pessoas defensoras que levantam preocupações sobre práticas empresariais ocorreram em praticamente todos os setores corporativos, em todas as regiões do mundo. Três quartos dos ataques (75%) foram contra pessoas defensoras do clima, da terra e/ou do meio ambiente.  

The Business and Human Rights Centre*, publicado em 12 de maio de 2026 

Em 2025, pessoas em todo o mundo tomaram medidas corajosas para enfrentar crises globais interligadas, como a aceleração da crise climática, a expansão de conflitos armados, o retrocesso democrático e a consolidação do poder corporativo.

Os 790 ataques documentados em 2025 foram contra Povos Indígenasjovensmulheres defensorasjornalistasdefensores do clima e do meio ambiente e muitos outros que expressavam preocupações sobre os riscos e danos causados por atores empresariais – afetando indivíduos, suas famílias, comunidades e a participação pública na sociedade de forma mais ampla.  

As pessoas que se manifestam contra os danos e as injustiças relacionados a empresas estão na linha de frente da busca por soluções para essas crises. Essas pessoas defensoras dos direitos humanos protegem nosso mundo natural e salvaguardam a democracia, as liberdades cívicas e o Estado de Direito, que são essenciais para ambientes de negócios estáveis e sustentáveis. Elas expõem abusos de poder e identificam riscos antecipadamente – informações essenciais para a devida diligência em direitos humanos por parte de empresas e investidores. Como líderes na criação de um mundo mais igualitário e seguro, seu bem-estar e segurança são indissociáveis da saúde do espaço cívico, de economias prósperas e do planeta. No entanto, em todo o mundo, elas estão sob ataque, sofrendo intimidação, vigilância, violência física e assédio judicial.  

Em 2025, o Centro de Empresas e Direitos Humanos documentou quase 800 ataques (790) contra pessoas defensoras em 80 países, manifestando preocupações relacionadas às empresas. Isso representa mais de dois ataques, em média, por dia e mais do que em qualquer ano desde 2020. Quase um terço dos ataques (30%) foi contra Povos Indígenas, que representam apenas 6% da população mundial. 

Principais conclusões

  • Ataques contra pessoas defensoras que levantam preocupações sobre práticas empresariais ocorreram em praticamente todos os setores corporativos, em todas as regiões do mundo, sendo que 42% dos ataques ocorreram na América Latina e no Caribe e 30% na Ásia e no Pacífico.
  • Três quartos dos ataques (75%) foram contra pessoas defensoras do clima, da terra e/ou do meio ambiente.
  • Cinquenta e três pessoas defensoras que se manifestavam contra danos relacionados a empresas foram mortas em 2025. Quase um terço (30%) delas eram de Povos Indígenas.
  • O tipo mais comum de ataque foi o assédio judicial, incluindo criminalização e SLAPPs – representando mais da metade de todos os ataques registrados (52%).
  • Mineração, combustíveis fósseis e agronegócio – principais fatores impulsionadores de desmatamento – continuaram sendo os setores associados ao maior número de ataques.
  • Quarenta e seis ataques foram contra pessoas defensoras que expressavam preocupações sobre empresas de armamentos e sua cumplicidade em conflitos e genocídios – um aumento significativo em relação aos apenas dois ataques registrados por ano em 2023 e 2024.
  • Os cinco projetos e empresas associados ao maior número de ataques em 2025 foram:O Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP pela sigla em inglês) em Uganda e na TanzâniaA mina de Grasberg, na IndonésiaA empresa aeroespacial, de defesa e segurança Leonardo, na ItáliaA mina Cobre Panamá, no PanamáA empresa de agronegócio Dinant, em Honduras.Ambos os projetos de mineração extraem cobre, considerado um mineral-chave para a transição.
  • O Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP pela sigla em inglês) em Uganda e na Tanzânia
  • A mina de Grasberg, na Indonésia
  • A empresa aeroespacial, de defesa e segurança Leonardo, na Itália
  • A mina Cobre Panamá, no Panamá
  • A empresa de agronegócio Dinant, em Honduras.Ambos os projetos de mineração extraem cobre, considerado um mineral-chave para a transição.
  • Nos casos em que os autores de ataques contra pessoas que expressavam preocupações sobre as atividades das empresas foram identificados, 86% eram atores estatais – geralmente a polícia, o sistema judicial ou autoridades locais. Mesmo quando os abusos são cometidos por atores estatais, as empresas ainda podem estar ligadas a eles, por exemplo, ao instar as autoridades a dispersar protestos pacíficos ou ao amplificar desinformação que leva à criminalização.
  • A crescente sobreposição entre a governança orientada pela segurança e a influência corporativa, amplificada pelas tecnologias digitais usadas para restringir o espaço cívico, está intensificando as restrições às liberdades cívicas e aumentando os riscos para pessoas defensoras e comunidades em todo o mundo.

As lutas que marcaram 2025 – desde a justiça climática e os direitos à terra até mobilizações contra o genocídio e a soberania Indígena – mostraram o quão profundamente interligadas estão essas questões. Nossa análise destaca uma convergência crescente entre a securitização – o processo pelo qual as questões são enquadradas como ameaças existenciais à segurança nacional – e a captura corporativa, reforçada pelo uso de tecnologias digitais para restringir o espaço cívico. Esse cenário em evolução está levando a uma erosão das liberdades cívicas e aumentando os riscos para as pessoas em todo o mundo.

Atividades empresariais irresponsáveis estão no centro de muitas dessas dinâmicas. Quando as empresas deixam de exercer uma robusta devida diligência em direitos humanos e de adotar compromissos de tolerância zero para com ataques a pessoas defensoras, elas aumentam seus riscos legais, financeiros e de reputação, falham em cumprir sua responsabilidade de respeitar os direitos humanos e podem contribuir para ambientes repressivos.

O CEDH convidou TotalEnergies, TotalEnergies EP Uganda, EACOP, Uganda National Oil Company, Tanzania Petroleum Development Corporation, China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), Stanbic Bank, Kenya Commercial Bank, First Quantum Minerals, Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (KOMIR), Dinant, Leonardo, Freeport McMoRan, PT Freeport Indonesia, PT Mineral Industri Indonesia, Silvercorp Metals, Salazar Resources, Curimining, Dutch Development Bank (FMO), Central American Bank for Economic Integration (CABEI), Exxon Mobil, Energy Transfer, Gibson Dunn and TigerSwan a apresentar as suas observações. 

As respostas de TotalEnergies, TotalEnergies EP Uganda, EACOP, Uganda National Oil Company, First Quantum Minerals, Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (KOMIR), Dinant, Freeport McMoRan, PT Freeport Indonesia, Silvercorp Metals, Curimining, Dutch Development Bank (FMO) podem ser encontradas aqui

As outras empresas não responderam.

Leia o relatório 

Explore nossos dados e leia a análise sobre os ataques contra as pessoas defensoras dos direitos humanos que manifestaram preocupações em relação às empresas em 2025.

Leia o Relatório: Navegar uma encruzilhada global: pessoas defensoras dos direitos humanos e empresas em 2025

*The Business and Human Rights Centre  

Somos uma organização global que atua na interseção entre negócios e direitos humanos, com nossa equipe de liderança presente nos quatro continentes.  

Com parceiros e aliados em todo o mundo, buscamos colocar os direitos humanos no centro dos negócios para promover uma economia justa, justiça climática e o fim dos abusos.  

Coletamos evidências sobre o desempenho, as práticas e as políticas de direitos humanos de mais de 10.000 empresas em mais de 180 países e abordamos as alegações de abuso de forma rápida e direta com as empresas, convidando-as a responder a denúncias específicas (mais de 1.500 por ano).  

7 minutos de leitura 1.387 palavras 31 visualizações

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